A prevalência de obesidade entre brasileiros a partir dos 25 anos mais que triplicou nas últimas três décadas, passando de 7,8%, em 1990, para 27,7%, em 2023. Os dados são de estudo publicado em setembro de 2026 na revista The Lancet Regional Health – Americas, que analisou a evolução do sobrepeso e da obesidade em 17 países latino-americanos. O cenário reforça o alerta com o Dia Nacional de Prevenção à Obesidade, lembrado neste domingo (11 /10), considerada uma doença crônica e um problema de saúde pública mundial.
Segundo Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada sete pessoas no mundo vivia com obesidade em 2024. A doença pode se desenvolver ainda na infância. Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2026, 177 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos viviam com obesidade em 2025, número que poderá chegar a 228 milhões em 2040.
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Nesse contexto, a endocrinologista e consultora médica do Sabin Diagnóstico e Saúde, Ana Clara D'Acampora, explica que a obesidade é um problema multifatorial, influenciado por questões genéticas, ambientais e comportamentais. “Um exemplo é uma criança que tem um dos pais com obesidade. Ela tem 50% de chance de desenvolver a doença. Com os dois pais obesos, a chance chega a 80%. Isso leva em conta não só a genética, que tem peso, mas os próprios hábitos da família”, afirma.
O sedentarismo e uma dieta inadequada estão entre os fatores que contribuem para a doença. Além disso, segundo a médica, um sinal de alerta que merece atenção é a circunferência abdominal aumentada, relacionada ao acúmulo de gordura visceral.
Avaliação e exames
Em adultos, o diagnóstico da obesidade considera principalmente o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), sendo classificado como obesidade quando o valor é igual ou superior a 30 kg/m². A avaliação clínica também pode considerar outros parâmetros, como a circunferência abdominal, e exames podem ser solicitados de acordo com o quadro de cada paciente para identificar condições associadas e riscos à saúde.
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Entre os testes laboratoriais utilizados nessa avaliação, segundo a endocrinologista, estão glicemia e hemoglobina glicada, que ajudam a identificar diabetes e pré-diabetes. Também podem ser solicitados exames de colesterol e suas frações, como o LDL, relacionado ao risco cardiovascular.
Em alguns casos, o fígado também é avaliado por exames como as transaminases e a contagem de plaquetas do hemograma, dados que podem ser usados no cálculo de índices que estimam o risco de fibrose em pacientes com gordura no fígado.
“Quanto mais tempo o paciente fica com a doença sem tratar, maior a chance de desenvolver doença renal e cardíaca”, alerta a médica. Por isso, dependendo do quadro clínico, a avaliação também pode incluir exames da função dos rins.
Outras alterações associadas à obesidade variam de acordo com o paciente. A depender das queixas, explica Ana Clara, também podem ser necessários exames hormonais, já que menstruação, libido e fertilidade podem ser afetadas. Vitamina D, ácido úrico e ferritina também podem apresentar alterações e ser avaliados por exames de sangue quando houver indicação médica.
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A obesidade também está associada à apneia do sono, condição que prejudica a qualidade do descanso e está relacionada a riscos cardiovasculares. “O sono ruim pode afetar os hormônios e o comportamento alimentar, o que pode agravar o ganho de peso. Nesses casos, a polissonografia [exame que avalia o sono] pode fazer parte da investigação”, explica a endocrinologista.
Como prevenir
A prevenção da obesidade envolve diferentes fatores, entre eles alimentação adequada e prática regular de atividade física. “Priorize a ‘comida de verdade’, incluindo saladas, frutas, proteínas e carboidratos com o menor processamento possível. Evite os alimentos industrializados”, indica Ana Clara.
Para adultos, a Organização Mundial da Saúde recomenda de 150 a 300 minutos semanais de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, ou uma combinação equivalente das duas. Hábitos cotidianos, como caminhar mais e usar escadas, também ajudam a reduzir o tempo sedentário.
“Também é preciso evitar tabagismo, álcool e bebidas açucaradas. O controle do estresse e da ansiedade e a melhora do sono completam o cuidado. A saúde mental é fundamental no cuidado com a parte metabólica”, diz a médica.
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