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Dia Mundial da Obesidade: brasileiros enfrentam problemas de saúde mental

Segundo pesquisa, 71% sente ansiedade com o peso e 65% acredita que a condição é prevenível por escolhas pessoais, refletindo a narrativa de autoculpabilização

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Nesta quarta-feira (4/3), Dia Mundial da Obesidade, a empresa de pesquisas Ipsos revela que 71% das pessoas que vivem com obesidade no Brasil sentem-se frequentemente ansiosas em relação ao seu estado atual de saúde devido ao seu peso — o percentual mais elevado entre todos os países pesquisados e bem acima da média dos 14 países (42%).

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Essa ansiedade parece estar impulsionando uma busca proativa por soluções, mas está associada a um profundo impacto emocional e ao medo do fracasso. Nesse sentido, a data busca aumentar a conscientização sobre a obesidade como uma doença complexa e crônica e defender melhores estratégias de prevenção, tratamento e suporte.

O estudo, sindicado Global Perceptions of Obesity Study, comparou as percepções de pessoas vivendo com obesidade (3.094) e de pessoas que não vivem com a condição (11.406) em 14 países.

Os resultados mostram que, no Brasil:

  • 29% das pessoas vivendo com obesidade estão satisfeitas com sua saúde física — percentual que sobe para 52% entre as que não convivem com a condição
  • 92% afirmam que seu peso impactou negativamente sua confiança e autoestima; globalmente, são 85%
  • 2% relatam evitar aparecer em fotos ou vídeos — o maior percentual entre todos os países pesquisados
  • 43% são propensos a se sentirem julgados pela sua aparência — enquanto 30% dos que não têm vivem com este sentimento

Forte disposição

A ansiedade dos brasileiros está impulsionando outras ações. Por exemplo:

  • 55% desses brasileiros consultou um médico sobre seu peso no último ano, em comparação com cerca de um terço (35%) globalmente
  • 62% procurou informações sobre controle de peso online ou com amigos — o maior percentual entre os 14 países e acima da média global (50%)

Compreensão intelectual e autoculpabilização

A obesidade é classificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma doença crônica e recorrente, decorrente de interações complexas entre genética, neurobiologia, comportamentos alimentares, acesso a uma alimentação saudável, forças de mercado e o ambiente em geral.

Embora 82% dos brasileiros com obesidade concordem que seja uma “condição médica que requer manejo contínuo” — o maior percentual global — ainda persiste uma crença inerente no mito de “comer menos e se exercitar mais”.

  • 65% acreditam que a obesidade é “prevenível através de escolhas pessoais”
  • 66% concordam que “apenas dieta e exercício podem resolver a obesidade”

Os números refletem a narrativa de autoculpabilização observada globalmente, que aumenta a pressão por sucesso individual.

Essa percepção é, ainda, reforçada no contexto da assistência à saúde. Entre as pessoas que já consultaram um médico sobre seu peso:

  • 42% relatou ter recebido orientações focadas em comer porções menores
  • 63% recebeu a orientação de alimentar-se de forma mais saudável
  • 69% foi orientado a praticar mais exercícios físicos

Entre as pessoas vivendo com obesidade que não consultaram recentemente um médico, o principal motivo foi o medo do fracasso — com 30% citando a preocupação de que “não conseguirão manter as mudanças recomendadas”.

“No Brasil, observamos uma história singular. Pessoas vivendo com obesidade não são passivas; elas estão buscando ativamente orientação médica, impulsionadas por altos níveis de ansiedade em relação à saúde. No entanto, esse espírito proativo é acompanhado por um profundo medo do fracasso”, comenta Ana Luiza Pesce, diretora de healthcare da Ipsos Brasil.

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“Neste Dia Mundial da Obesidade, é fundamental mudarmos a narrativa. Precisamos ir além de enquadrar o controle do peso como um teste individual de força de vontade e, em vez disso, promover um ambiente de apoio, no qual buscar ajuda médica seja visto como uma parceria para o sucesso, e não como mais uma oportunidade de fracassar”, afirma.

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