Parkinson antes dos tremores? Mudanças no intestino, na urina e no olfato chamam atenção, mas há um cuidado essencial ao interpretar esses possíveis sinais
Intestino preso, alterações no sono e perda de olfato alertam para a doença; identificar os sintomas cedo ajuda a antecipar tratamentos vitais
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A doença de Parkinson costuma se manifestar anos antes dos tremores nas mãos. Conforme detalhou a neurologista Alexandra Pérez-Soriano, especialista em distúrbios do movimento no Hospital Clínic de Barcelona, em entrevista publicada no dia 2 de outubro de 2026 pelo jornal "La Vanguardia", a enfermidade neurodegenerativa começa com problemas digestivos, urinários e alterações no sono.
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O primeiro indício físico surge frequentemente no sistema digestivo. A constipação intestinal afeta até dois terços dos pacientes muito antes de qualquer incômodo motor. Outras manifestações silenciosas incluem:
vontade urgente e frequente de urinar, especialmente à noite;
perda do olfato observada em quase 90% dos pacientes, antecedendo o diagnóstico formal de cinco a dez anos;
escrita que se torna pequena;
voz enfraquecida;
humor depressivo, registrado em cerca de 40% das pessoas acometidas.
Distúrbios no sono e avanço silencioso
Entre os sinais mais confiáveis está o distúrbio comportamental no sono paradoxal. Durante essa fase do descanso, a paralisia muscular comum desaparece, o que leva a pessoa a encenar sonhos, gritar, golpear ou cair da cama. Até 90% das pessoas com esse padrão de sono desenvolvem a condição neurológica ou um distúrbio semelhante em um intervalo de dez a quinze anos.
Pesquisadores apontam que a origem do processo ocorre longe do cérebro, nos neurônios do tubo digestivo e no bulbo olfativo. Nessas estruturas, a proteína alfa-sinucleína sofre uma deformação, gerando aglomerados tóxicos. Essas formações avançam gradualmente até o tronco cerebral por meio do nervo vago, via de ligação entre o abdômen e a cabeça.
Sintomas visíveis como tremores, lentidão e rigidez corporal surgem apenas quando a degeneração atinge a substância negra, região cerebral responsável pela produção de dopamina. Nesse estágio, entre 50% e 80% dos neurônios dopaminérgicos já foram destruídos, o que dificulta a resposta aos medicamentos.
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Nenhuma intervenção atual interrompe a evolução da doença depois do surgimento dos tremores motores. Por conta desse cenário, a comunidade científica concentra esforços na detecção desses marcadores no intestino, no olfato e no sono para viabilizar tratamentos preventivos antes da morte definitiva dos neurônios.