ENTREVISTA

Rompimento do prepúcio: por que isso pode acontecer e quando se preocupar?

Urologista explica as causas das fissuras ou lacerações que ocorrem na camada de pele do pênis e os riscos disso acontecer durante a relação sexual

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O prepúcio é a camada pele do pênis que recobre a glande. É a única parte que está solta do restante do órgão, possuindo uma mucosa lubrificada na superfície interna comumente associada ao prazer sexual. Algumas condições, no entanto, podem causar o rompimento do prepúcio. É o caso da fimose, que ocorre quando a extremidade do prepúcio é tão estreita que impede que o deslizamento libere totalmente a glande; e também da inflamação da glande, a chamada balanopostite.

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Em alguns casos, esse rompimento pode afetar a qualidade de vida do homem, causando dores, febre e dificuldade para urinar, por exemplo. Para esclarecer sobre os riscos e quando se deve procurar um especialista, o urologista e andrologista Pedro Bastos, de Juiz de Fora, responde as principais dúvidas acerca do tema.

O que pode causar o rompimento ou uma lesão no prepúcio?

Quando o paciente relata que “rompeu o prepúcio”, é importante entender exatamente qual estrutura foi lesionada. O prepúcio pode sofrer fissuras ou lacerações, principalmente quando existe fimose, inflamação local, ressecamento, pouca lubrificação ou retração forçada.

Entretanto, durante a relação sexual, um dos quadros mais comuns é a ruptura do frênulo, conhecido popularmente como “freio do pênis”. O frênulo é uma pequena faixa de tecido localizada na parte inferior da glande, que conecta o prepúcio ao pênis. Quando ele é curto ou fica excessivamente tensionado durante a ereção, pode se romper.

Pedro Bastos é urologista e andrologista em Juiz de Fora (MG)
Pedro Bastos é urologista e andrologista em Juiz de Fora (MG) drpedrobastosurologista.com.br/Reprodução

Em quais situações esse tipo de lesão costuma acontecer com mais frequência?

É mais frequente durante relações sexuais ou masturbação, principalmente quando há atrito intenso, pouca lubrificação ou movimentos mais vigorosos. Homens com frênulo curto têm maior predisposição à ruptura justamente porque essa estrutura fica muito tensionada durante a ereção.

Também podem ocorrer fissuras do próprio prepúcio em pacientes com fimose, balanopostites recorrentes ou alterações da elasticidade da pele. Nesses casos, pequenos traumas podem se repetir e formar cicatrizes, tornando o prepúcio progressivamente menos elástico.

 

Quais sinais indicam que o ferimento precisa de avaliação médica?

Sangramento que não cessa após compressão local, ferimento profundo, dor intensa, edema importante, secreção, vermelhidão progressiva, febre ou dificuldade para urinar são sinais que justificam avaliação médica.

Também é importante procurar o urologista quando a lesão acontece repetidamente. Rupturas recorrentes podem indicar frênulo curto, fimose ou alguma condição inflamatória que precisa ser tratada, em vez de simplesmente esperar que o ferimento cicatrize novamente.

O que o homem deve fazer após perceber o rompimento ou uma lesão na região?

O primeiro passo é interromper a relação sexual ou masturbação. Se houver sangramento, deve-se fazer compressão direta e contínua com uma gaze limpa por alguns minutos. A região pode ser higienizada delicadamente com água ou soro fisiológico.

É importante evitar manipular excessivamente o ferimento e suspender as relações sexuais até que exista cicatrização adequada. Se o sangramento persistir, a lesão parecer profunda ou houver qualquer dúvida sobre a gravidade, o ideal é procurar atendimento médico.

Esse tipo de ocorrência pode trazer complicações ou afetar a saúde sexual?

Na maioria das lesões pequenas, a cicatrização ocorre sem comprometimento permanente da função sexual. O problema aparece principalmente quando existem episódios recorrentes.

Rupturas repetidas podem formar tecido cicatricial, provocar dor durante a relação e facilitar novas lesões. No caso de um frênulo curto, pode ser necessária uma pequena correção cirúrgica, como a frenuloplastia.

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A fimose também pode favorecer fissuras, inflamações recorrentes e dificuldade para retrair o prepúcio. Nesses casos, o tratamento da fimose deve ser individualizado de acordo com o grau de estreitamento, os sintomas e a presença de complicações, podendo envolver tratamento clínico ou cirurgia.

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