A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar um novo medicamento para o tratamento do câncer colorretal metastático, trazendo uma importante perspectiva de sobrevida para pacientes com quadros avançados. A chegada da nova terapia recoloca em pauta a dimensão da doença em Minas Gerais, onde o tumor de cólon e reto figura como a segunda neoplasia mais frequente tanto em homens quanto em mulheres, somando mais de 6 mil novos casos anuais, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Se, por um lado, o avanço no tratamento amplia as perspectivas para pacientes com doença avançada, por outro, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce. O alerta ganha ainda mais relevância diante do aumento de casos de câncer colorretal entre adultos com menos de 50 anos, fenômeno conhecido como câncer de início precoce (early-onset).

Estudo publicado em junho de 2026 na revista científica Cancer, da American Cancer Society, mostra que a vulnerabilidade em faixas etárias mais novas envolve uma combinação de fatores que vão além do histórico familiar. Hábitos do estilo de vida moderno como sedentarismo, obesidade e consumo frequente de alimentos ultraprocessados, somados a características biológicas e demográficas, desempenham papel direto no desenvolvimento da doença.

Sinais persistentes devem ser investigados

Entre adultos jovens, o diagnóstico do câncer colorretal pode enfrentar uma barreira adicional: como essa população está, em geral, fora da faixa etária recomendada para o rastreamento de pessoas assintomáticas, indicado a partir dos 45 anos, a investigação costuma partir da presença de sinais ou sintomas.

A oncologista Thais Passarini, do Câncer Center Oncoclínicas, em Minas Gerais, reforça que alterações persistentes devem ser avaliadas, independentemente da idade. “Embora o câncer colorretal possa evoluir de forma silenciosa, é importante estar atento a mudanças persistentes no hábito intestinal, como constipação e diarreia, além de sangue nas fezes, dor abdominal, perda de peso sem causa aparente, fraqueza e fadiga.”

 

“Em pacientes mais jovens, esses sinais podem ser inicialmente associados a condições benignas e postergar a investigação. Por isso, a persistência dos sintomas deve ser considerada e avaliada adequadamente, mesmo em pessoas fora da faixa etária habitual de rastreamento”, orienta a médica.

Embora a nova opção terapêutica chancelada pela Anvisa amplie as alternativas para o controle do tumor em estágios avançados, a intervenção nas fases iniciais continua sendo a estratégia decisiva para atingir taxas de cura superiores a 90%.

“Contar com novas opções de tratamento é um avanço importante para a oncologia, especialmente nos casos de doença avançada. No entanto, o diagnóstico precoce continua sendo fundamental, pois amplia as possibilidades terapêuticas e as chances de controle da doença. Por isso, prevenção, informação de qualidade e atenção aos sinais de alerta precisam caminhar junto aos avanços no tratamento do câncer colorretal”, destaca a especialista.

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