Encontrar sangue na escova ou no fio dental pode parecer algo sem importância, mas o sangramento frequente da gengiva não deve ser ignorado. Na maioria dos casos, ele indica uma inflamação local, como a gengivite, geralmente associada ao acúmulo de placa bacteriana. Fatores como histórico familiar, diabetes e tabagismo estão entre os que aumentam o risco da doença. Por isso, trocar a pasta de dente ou recorrer a um enxaguante sem investigar a causa pode apenas adiar o diagnóstico.





O sangramento da gengiva pode não estar relacionado só à boca. Pode ser a sua saúde gritando que existe algo errado internamente”, afirma Cristina Miura, dentista especialista em periodontia e implantodontia.


Quando a inflamação avança e compromete o osso e os demais tecidos que sustentam os dentes, o quadro evolui para periodontite. Nessa fase, a perda do osso ao redor dos dentes não se recupera sozinha, embora o tratamento possa controlar a doença e impedir sua progressão. Segundo a Organização Mundial da Saúde, as formas graves de doença periodontal atingem cerca de 19% das pessoas com 15 anos ou mais, o equivalente a mais de 1 bilhão de casos no mundo.


Sangramento não deve ser normalizado


Para Cristina, um dos primeiros cuidados é abandonar a ideia de que sangrar durante a escovação ou o uso do fio dental faz parte da rotina.


Sangramento na gengiva durante a escovação não é normal, assim como não é normal sangrar em outras regiões do corpo. É a gengiva avisando que existe alguma coisa acontecendo, avalia.





O erro mais comum, segundo a especialista, é tentar eliminar o sintoma sem identificar sua origem. Pastas específicas, enxaguantes ou produtos naturais podem até reduzir o sangramento por um período, mas não removem necessariamente a causa.


Ao redor dos dentes, a inflamação inicial recebe o nome de gengivite. Em pessoas que têm implantes, o sangramento pode indicar mucosite peri-implantar, inflamação da gengiva ao redor do implante. Os dois quadros precisam de avaliação porque podem avançar caso a placa bacteriana permaneça acumulada.


O que pode agravar a inflamação da gengiva


A placa bacteriana e a higiene inadequada estão entre os principais fatores ligados às doenças da gengiva. Algumas condições de saúde, porém, podem aumentar a suscetibilidade do paciente ou tornar a inflamação mais difícil de controlar.





A relação com o diabetes é uma das mais bem estabelecidas. Quando a glicose permanece elevada, as defesas do organismo contra infecções podem ficar prejudicadas, e a doença gengival tende a ser mais intensa e demorar mais para responder ao tratamento. Ao mesmo tempo, a periodontite pode dificultar o controle da glicemia.


Para a especialista, a principal causa das doenças da gengiva entre os brasileiros é não retornar ao dentista com regularidade. O risco de periodontite também aumenta com a idade, embora o envelhecimento não seja a única explicação. Doenças crônicas, uso de medicamentos, dificuldade para higienizar os dentes e maior tempo de exposição aos fatores de risco também pesam nesse processo. Por isso, pessoas com essas condições devem informar o histórico ao dentista, o que ajuda a definir os cuidados necessários. Ainda assim, o sangramento da gengiva, sozinho, não permite diagnosticar nenhuma dessas doenças.



Como a placa bacteriana agrava o problema


A boca abriga naturalmente diferentes tipos de bactérias. Quando a higiene não remove de forma adequada a placa, película pegajosa que se forma sobre os dentes, as bactérias associadas à inflamação encontram condições para se multiplicar.


Se não for retirada, a placa pode endurecer pela ação dos minerais presentes na saliva e se transformar em tártaro. Nesse estágio, a escova e o fio dental já não conseguem remover o depósito, o que exige uma limpeza feita pelo dentista.


É importante ir ao dentista para remover esses esconderijos de bactérias e manter os dentes limpos e lisos, o que facilita a higiene em casa, explica Cristina.


Uma observação simples pode ajudar o paciente a perceber mudanças. Ao passar a língua pelos dentes, superfícies ásperas podem sugerir acúmulo de placa ou tártaro. Esse cuidado, porém, não substitui a avaliação, já que parte do tártaro pode ficar escondida abaixo da gengiva.


Como prevenir o sangramento da gengiva



  • Não considere normal o sangramento frequente ao escovar ou usar o fio dental.

  • Escove os dentes pelo menos duas vezes ao dia e use fio dental diariamente.

  • Faça consultas periódicas para avaliação e limpeza profissional.

  • Mantenha uma alimentação equilibrada, com frutas, verduras e alimentos pouco processados.

  • Pratique atividade física regularmente.

  • Mantenha diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas sob acompanhamento.

  • Evite o tabaco, um dos principais fatores de risco para a doença periodontal.


Quando procurar um dentista


O paciente deve procurar avaliação quando o sangramento aparece com frequência, não melhora após alguns dias de higiene adequada ou ocorre de forma espontânea. Inchaço, vermelhidão, mau hálito persistente, retração da gengiva, dor ao mastigar e dentes que parecem soltos também merecem atenção.


A recomendação é não esperar que o problema desapareça sozinho nem tentar escondê-lo apenas com produtos de higiene. O dentista deve avaliar se há gengivite, periodontite, inflamação ao redor de implantes ou algum fator de saúde que exija acompanhamento conjunto com outro profissional.


É preciso cuidar dos dois lados: do corpo e também da saúde bucal, para que a pessoa consiga viver mais e preservar seus dentes naturais, ensina a dentista.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia




compartilhe