O Brasil atingiu um recorde histórico em 2025, com a realização de mais de 31 mil transplantes, um aumento de 21% em relação a 2022. Apesar do avanço, a angústia de quem aguarda por um órgão ainda é uma realidade para milhares de pessoas, e entender como a fila de transplantes funciona é fundamental para compreender os desafios do sistema.
Diferente do que muitos imaginam, o sistema brasileiro é um dos maiores do mundo e majoritariamente público, com cerca de 86% dos procedimentos financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Todo o processo é coordenado pelo governo federal para garantir que a distribuição de órgãos seja justa e baseada em critérios técnicos, não em condição financeira ou social.
Leia Mais
O que é o Sistema Nacional de Transplantes (SNT)?
O Sistema Nacional de Transplantes (SNT) é a estrutura do Ministério da Saúde responsável por gerenciar e regular todo o processo de doação e transplante de órgãos no país. Ele integra as secretarias de saúde de todos os estados, garantindo que a alocação de órgãos siga critérios técnicos e éticos rigorosos.
Esse sistema centralizado assegura que um órgão captado em qualquer parte do Brasil possa ser destinado ao receptor mais compatível em qualquer outro estado, otimizando as chances de sucesso do procedimento. A gestão da lista de espera é totalmente informatizada e fiscalizada.
Como funciona a fila de transplantes no Brasil?
A fila de transplantes não funciona por ordem de chegada. Trata-se de uma lista de espera única, nacional e organizada por órgão, tipo sanguíneo e outras especificidades técnicas. A posição de cada paciente é definida por um conjunto de critérios médicos, e não pelo tempo de inscrição.
Quais são os critérios para definir a ordem na lista?
A ordem na fila para receber um órgão é determinada por um algoritmo que considera múltiplos fatores para encontrar o receptor ideal. Os principais critérios são:
Compatibilidade: a semelhança entre o tipo sanguíneo e as características genéticas do doador e do receptor é o fator mais importante.
Gravidade do estado de saúde: pacientes em estado crítico, com risco iminente de morte, recebem prioridade na alocação.
Tempo de espera: o tempo que o paciente está em diálise (no caso de rins) ou na lista de espera geral serve como critério de desempate.
Critérios geográficos: a proximidade entre o doador e o receptor é considerada para garantir que o órgão chegue em perfeitas condições para o transplante.
Quanto tempo se espera por um transplante?
O tempo de espera por um órgão é uma das questões mais delicadas e varia drasticamente. Fatores como o tipo de órgão necessário, a raridade do tipo sanguíneo e a quantidade de doações na região influenciam diretamente essa espera, que pode durar de meses a vários anos. Em 2025, os transplantes mais realizados foram os de córnea (17.790), seguidos por rim (6.697), medula óssea (3.993) e fígado (2.573).
Apesar do alto volume, a demanda continua superando a oferta. Um dos principais desafios é a taxa de recusa familiar para doação, que gira em torno de 45%. Por isso, a conscientização sobre a importância de comunicar à família o desejo de ser doador é fundamental para salvar vidas.
Como se inscrever na lista de espera?
A inscrição na lista de espera começa com um diagnóstico médico que atesta a necessidade do transplante. O paciente é então encaminhado para uma equipe especializada, que realiza os exames necessários e, se confirmado o quadro, o cadastra no Sistema Informatizado de Gerenciamento do Acesso às Listas de Espera (SIGA), integrado ao SNT. Apenas médicos e centros de transplante autorizados podem fazer essa inclusão no sistema.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
