Impulsionado pelo aumento da demanda da Geração Z, o mercado de cosméticos naturais projeta uma movimentação de US$ 37 bilhões até o final de 2026, segundo dados da Grand View Research. Com os consumidores à procura de ativos naturais, como a manteiga de karité, aloe vera, rosa mosqueta e extratos botânicos, a trend do momento é substituir os excessos por rotinas de autocuidado mais leves.

E não é apenas nos cuidados com a pele que o movimento ganha força. Afastando-se da febre dos rostos harmonizados, o público da casa dos 25 anos tem optado pelo baby botox e o mini lifting para diminuir as rugas e linhas de expressão mais cedo, justamente para prevenir intervenções estéticas invasivas.

Na contramão dos excessos, o mercado de procedimentos estéticos minimamente invasivos deve crescer 5,8% ao ano, impulsionado pela busca do rejuvenescimento da pele não cirúrgico por parte dos novos consumidores, de acordo com o Statifacts. Ao contrário da febre dos anos 2018 e 2019, a mudança no conceito de beleza pela medicina estética marca a busca por resultados naturais, enfatizando características únicas e a identidade de cada pessoa, ao invés de padrões estéticos padronizados.

O médico Octávio Guarçoni, que atua com medicina estética, explica que, durante muitos anos, os procedimentos estéticos foram associados a mudar aquilo que incomodava, seja no rosto ou no corpo. Hoje, porém, o setor passa por uma transformação impulsionada por uma tendência global que prioriza a naturalidade: menos exagero e mais harmonia e equilíbrio.

“Hoje, mais do que transformar, a estética moderna busca realçar a beleza individual – e é por isso que a naturalidade está se tornando uma tendência global, porque, no fundo, as pessoas não querem mais se parecer com outras pessoas. Elas querem se sentir bem, sendo quem são, mas realçar a sua melhor versão. Isso se dá desde a escolha de ativos naturais e de origem vegetal (para o caso de skincare), quanto na escolha de procedimentos estéticos, com foco no bem-estar pessoal”, comenta o médico.

A procura nos consultórios, segundo o especialista, tem atravessado profissionais de diferentes áreas, mas com o objetivo de “prevenir, para não remediar”. O novo fenômeno tem elevado a busca por procedimentos minimamente invasivos, porém, ainda mais cedo do que a indústria estava acostumada, por parte dos brasileiros. O médico enfatiza que bioestimuladores de colágeno e bioremodeladores de pele, por exemplo, fazem parte dos tratamentos em alta, com foco na prevenção.

“Há um questionamento atual que é interessante: a estética realmente mudou ou as pessoas começaram a enxergar a beleza de uma forma diferente? As duas andam juntas, na verdade. Eu sempre digo que vivemos um mundo de ciclos, tudo é muito cíclico. A gente sai agora de uma década de estética artificial, para uma década da estética natural. Há remoção de preenchimento, mudanças, tentar ficar mais natural. É uma tendência essa mudança estética”, reflete o médico.

Ainda segundo Octávio Guarçoni, a comparação, principalmente entre o público jovem, é algo que precisa ser retirado para que o paciente possa focar em si mesmo, através do autocuidado. Nesse processo, a estética passa a ser vista como uma aliada do bem-estar e da autoestima, e não como uma busca por padrões impostos ou pela reprodução de características. O médico reforça a importância de respeitar a individualidade, valorizando aquilo que torna cada pessoa única.

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“Hoje falamos sobre comunidade, sobre pertencimento, sobre se enxergar, se enxergar definitivamente. Eu digo e repito: você é único. No entanto, é necessário respeitar os seus processos. Se existe algo que a estética moderna está ensinando pra gente, é que a beleza não precisa apagar quem você é. Pelo contrário, a melhor estética é aquela que vai preservar a identidade, respeita o tempo e valoriza a individualidade de cada um."

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