O consumo abusivo de bebidas alcoólicas entre mulheres brasileiras aumentou cerca de 70% em quase duas décadas. O índice passou de 9,2% para 15,7%, segundo levantamento do Ministério da Saúde por meio do sistema Vigitel.

Para o mastologista Daniel Buttros, pesquisador em estilo de vida e câncer de mama, a abordagem sobre os efeitos nocivos do álcool é uma questão de saúde pública. Ele alerta que as mulheres são biologicamente mais vulneráveis e podem desenvolver problemas graves de saúde mais cedo, mesmo com um consumo menor.

No caso do câncer de mama, uma meta-análise baseada em 53 estudos científicos revela que basta uma dose diária de álcool para que o risco de desenvolver a doença aumente em 7%. Em 1980, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), da Organização mundial da Saúde (OMS), já havia classificado o álcool como um carcinógeno do grupo 1, que reúne agentes com evidência científica de que causam câncer em humanos.

Por que o risco é maior para mulheres?

A vulnerabilidade biológica feminina está associada à menor quantidade de água e de enzimas no organismo para metabolizar o etanol. No corpo, a substância é transformada em acetaldeído, um composto tóxico para as células que danifica o DNA e impede que o corpo repare os danos.

Com o DNA danificado, as células podem crescer de forma descontrolada e dar origem a um tumor. Buttros, que também preside a comissão de comunicação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), destaca que o consumo de álcool afeta os níveis de estrogênio, hormônio importante no desenvolvimento e na progressão da doença.

Risco aumenta conforme a dose

A pesquisa com 53 artigos científicos mostra que o perigo escala com o aumento do consumo. Para quem ingere de 35 a 44 gramas de álcool por dia, o equivalente a 3 ou 4 doses, as chances de desenvolver o câncer de mama chegam a 32%. Com mais de quatro doses, a perspectiva sobe para 46%.

Na perimenopausa e na menopausa, o etanol pode intensificar sintomas como ondas de calor e alterações de humor, além de prejudicar a absorção de cálcio. Para mulheres que fazem reposição hormonal, o risco é ainda maior. Um estudo na Dinamarca com 5 mil mulheres avaliou que o consumo de uma ou duas doses diárias ampliou em três vezes o risco de desenvolver a doença nesse grupo. Com duas ou mais doses, a progressão foi cinco vezes maior.

Daniel Buttros ressalta a importância de ampliar as informações sobre o tema. Ele afirma que o conhecimento é fundamental na prevenção e permite que as mulheres façam escolhas que melhorem sua qualidade de vida.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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