Inverno: pacientes com câncer podem tomar vacina da gripe?
Quando os casos de influenza aumentam, a imunização é uma importante estratégia para reduzir complicações, hospitalizações e até mortes entre pacientes oncológicos
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Com a chegada das temperaturas mais baixas, aumenta também a incidência das infecções respiratórias, por conta da maior circulação dos vírus. A campanha anual de vacinação contra a gripe reforça a importância da prevenção, mas uma dúvida frequente entre pacientes em tratamento contra o câncer é: afinal, quem faz quimioterapia, imunoterapia ou radioterapia pode se vacinar?
De acordo com o oncologista Ramon Andrade de Mello, do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, a resposta, na maioria dos casos, é sim. “A vacinação contra a influenza é uma das principais medidas para proteger pacientes oncológicos, que costumam apresentar maior risco de desenvolver formas graves da doença devido às alterações do sistema imunológico provocadas tanto pelo câncer quanto pelos tratamentos. A gripe não é apenas um resfriado forte. Em pacientes com câncer, ela pode evoluir rapidamente para complicações como pneumonia, necessidade de internação e até interrupção do tratamento oncológico. Por isso, sempre que possível, a prevenção é a melhor estratégia", explica o especialista.
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Um dos principais receios dos pacientes é a possibilidade de a vacina causar a doença. No entanto, isso não acontece com as vacinas contra influenza produzidas com vírus inativado, que são justamente as recomendadas para esse público.
"Essas vacinas não contêm vírus vivos capazes de provocar infecção. Elas estimulam o sistema imunológico a reconhecer o vírus e produzir uma resposta de proteção, sendo consideradas seguras para pacientes oncológicos", afirma o médico. Por outro lado, vacinas produzidas com vírus vivos atenuados, como algumas apresentações em spray nasal utilizadas em outros países, geralmente não são indicadas para pessoas com imunidade comprometida.
Existe o melhor momento para se vacinar?
Embora a vacina seja recomendada para a maioria dos pacientes com câncer, o momento ideal pode variar de acordo com o tipo de tratamento. Em alguns casos, o oncologista pode orientar que a imunização seja realizada antes do início da quimioterapia ou em um intervalo específico entre os ciclos, quando a capacidade de resposta do sistema imunológico tende a ser melhor.
“Cada paciente possui uma condição clínica diferente. O ideal é que a vacinação seja planejada em conjunto com a equipe responsável pelo tratamento, para garantir maior eficácia e segurança", orienta Ramon.
Familiares, cuidadores e pessoas que convivem diariamente com pacientes oncológicos também devem manter a vacinação em dia. "Quando as pessoas ao redor estão imunizadas, criamos uma barreira de proteção que reduz a circulação do vírus e diminui o risco de exposição do paciente, especialmente daqueles que apresentam imunidade mais baixa", destaca o especialista.
Mitos que ainda geram preocupação
Entre os equívocos mais comuns está a ideia de que a vacina pode enfraquecer ainda mais o organismo ou interferir no tratamento do câncer. “Na prática, o benefício costuma superar amplamente os riscos. Mesmo quando a resposta imunológica não é tão intensa quanto na população geral, a vacinação pode reduzir a gravidade da infecção e diminuir a chance de complicações”, explica o médico.
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"O paciente oncológico não deve deixar de tomar a vacina por medo. O mais importante é conversar com seu oncologista para definir a melhor estratégia para o seu caso. A vacinação continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para proteger quem já enfrenta um grande desafio de saúde", reforça.