A intolerância à lactose é uma condição muito comum, mas ainda cercada de dúvidas - a começar pela confusão frequente com a alergia à proteína do leite de vaca, embora se trate de doenças completamente diferentes.

Enquanto a alergia envolve uma reação do sistema imunológico às proteínas do leite, a intolerância decorre da dificuldade do organismo em digerir a lactose, o açúcar naturalmente presente no leite e em seus derivados.

Essa diferença está diretamente ligada ao processo de digestão. A lactose é um carboidrato que, normalmente, é quebrado pela enzima lactase em dois açúcares menores — glicose e galactose —, absorvidos pelo intestino delgado e utilizados como fonte de energia pelo organismo.

Quando há deficiência parcial ou total da lactase, no entanto, a lactose não é digerida adequadamente e segue para o intestino grosso, onde é fermentada pelas bactérias da microbiota intestinal, o que provoca os sintomas gastrointestinais característicos da condição.

A intensidade desses sintomas varia de pessoa para pessoa, de acordo com fatores como a quantidade de lactose ingerida, o grau de deficiência da enzima lactase, a velocidade do trânsito intestinal, a idade do paciente e características genéticas relacionadas à produção da enzima.

Em geral, os sinais surgem entre 30 minutos e duas horas após o consumo de leite ou derivados, e os mais frequentes incluem:

  • Dor e distensão abdominal
  • Gases e flatulência
  • Cólicas
  • Diarreia
  • Náuseas e vômitos
  • Em alguns casos, constipação intestinal e cãibras

Diagnóstico

Diante desse quadro, o diagnóstico costuma ser orientado, inicialmente, pela observação clínica: a melhora dos sintomas após a retirada dos alimentos com lactose da dieta, por um período de três a quatro semanas, seguida do retorno das manifestações quando esses alimentos são reintroduzidos, já é um forte indício da intolerância.

Quando necessário, o médico pode solicitar exames complementares para confirmar a suspeita, como o teste respiratório do hidrogênio expirado — considerado um dos principais métodos diagnósticos. Em algumas situações, também pode ser indicado o teste genético, capaz de identificar alterações relacionadas à persistência ou à redução da produção da enzima lactase ao longo da vida.

Tratamento

Uma vez confirmado o diagnóstico, o tratamento é individualizado e definido de acordo com o grau de intolerância de cada paciente. As principais recomendações incluem: 

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  • Reduzir ou evitar o consumo de alimentos que contenham lactose, conforme a tolerância individual
  • Utilizar suplementos de lactase antes das refeições, quando indicado pelo médico
  • Garantir ingestão adequada de cálcio e vitamina D, por meio da alimentação ou de suplementação, quando houver necessidade, para prevenir deficiências nutricionais

Por fim, vale reforçar: a intolerância à lactose não é uma alergia e, na maioria dos casos, não exige a exclusão completa dos laticínios da dieta. Com diagnóstico correto e acompanhamento profissional, é possível controlar os sintomas e manter uma alimentação equilibrada e nutritiva.

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