Por muito tempo, a vacina contra o papilomavírus humano (HPV) foi associada quase exclusivamente às meninas adolescentes e à prevenção do câncer do colo do útero. No entanto, o vírus também está relacionado a outros tipos de câncer, como os de ânus, vulva, vagina, pênis e orofaringe (boca e garganta), além de causar verrugas genitais.
Embora a vacinação seja mais eficaz antes do início da vida sexual, ela também pode trazer benefícios para adultos e pessoas que já tiveram contato com o vírus. "O ideal é fazer a vacinação antes do contato sexual. Entretanto, mesmo após o contato inicial, há benefícios da vacinação, com redução no risco de câncer e proteção contra outros subtipos virais", afirma Melissa Valentini, infectologista do Hermes Pardini.
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Quem pode receber a vacina pelo SUS
A vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para os seguintes grupos:
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Crianças e adolescentes de 9 a 14 anos – dose única
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Pessoas imunodeprimidas, como pessoas vivendo com HIV/aids, transplantados e pacientes oncológicos – três doses (0, 2 e 6 meses)
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Vítimas de violência sexual de 9 a 14 anos – duas doses (0 e 6 meses)
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Vítimas de violência sexual de 15 a 45 anos – três doses (0, 2 e 6 meses)
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Pessoas com papilomatose respiratória recorrente (PRR), a partir de 2 anos – três doses (0, 2 e 6 meses)
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Usuários da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), de 15 a 45 anos – três doses (0, 2 e 6 meses)
Vacina disponível na rede privada
Na rede privada, está disponível a vacina nonavalente, que amplia a proteção ao cobrir nove subtipos do HPV associados à maior parte dos casos de câncer e das verrugas genitais. "Ela protege contra todos os subtipos da quadrivalente, além de mais cinco subtipos de alto risco, que são os 31, 33, 45, 52 e 58. Esses subtipos seriam responsáveis por cerca de 20% dos cânceres de colo de útero", explica Melissa.
A vacina também protege contra os subtipos 6 e 11, relacionados às verrugas genitais, e os subtipos 16 e 18, responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de câncer do colo do útero.
O esquema vacinal varia conforme a idade. Entre 9 e 20 anos, a vacina nonavalente é aplicada em duas doses, com intervalo de seis meses. A partir dos 20 anos, são recomendadas três doses, administradas no esquema de 0, 2 e 6 meses.
Adultos também podem se beneficiar
Fora dos grupos prioritários do SUS, a vacina é recomendada para homens e mulheres entre 9 e 45 anos. Após essa idade, a imunização também pode ser realizada mediante prescrição médica. Além da proteção individual, a vacinação contribui para reduzir a circulação do vírus na população. "Quanto mais pessoas vacinadas, menor a circulação do HPV", destaca a infectologista.
Uma dúvida frequente é se a vacina perde eficácia com o avanço da idade. Segundo Melissa, isso não acontece exatamente dessa forma.
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Apesar de a resposta imunológica ser um pouco menor em adultos do que em adolescentes, a principal diferença está na maior chance de a pessoa já ter sido exposta ao vírus ao longo da vida. "Como a pessoa já pode ter tido contato com o vírus, ela pode ter uma proteção menor pelo contato, e não porque a imunidade é pior", esclarece.
