Junho costuma ser o mês de menor estoque nos bancos de sangue brasileiros: com as férias e o frio, menos gente aparece para doar, enquanto a demanda de cirurgias e tratamentos não dá trégua. E, com mais de 873 mil brasileiros em tratamento com cannabis medicinal, segundo o Anuário 2025 da Kaya Mind, surge a pergunta: quem faz a terapia pode doar?

Segundo Mariana Maciel, médica à frente da biotech canadense Thronus Medical, a dúvida é legítima, e quase sempre mal informada. "Tem muito mito nisso, e o mito pode afasta quem queria ajudar."

A seguir, a especialista responde cinco perguntas rápidas sobre cannabis medicinal e doação de sangue.

1. Fazer o uso de CBD por prescrição me impede de doar?

Não de forma automática. As orientações do Ministério da Saúde não tratam o canabidiol como barreira, mas cada hemocentro avalia na hora da triagem.

"Usar cannabis medicinal não risca ninguém da lista de doadores, mas o paciente precisa ser transparente na triagem, levar a prescrição e entender que a palavra final é do hemocentro", afirma Mariana.

"Na dúvida, o paciente deve informar o uso na triagem, levar a prescrição e confirmar as regras antes de ir", orienta.

2. Preciso parar o tratamento antes de doar?

"Nunca interrompa tratamento por conta própria", alerta a especialista. "Na maioria dos casos não é necessário, mas é sempre bom verificar com o seu médico e com o hemocentro".

3. E se a minha medicação tiver THC?

A presença de tetrahidrocanabinol (THC) pode gerar mais perguntas na triagem, mas não é um bloqueio por si só. "O que conta é você declarar os medicamentos que utiliza e apresentar as prescrições", explica.

4. Tenho que avisar na triagem que faço o tratamento?

Sim, sempre. A triagem existe para proteger quem doa e quem recebe, e a transparência é parte inegociável de toda essa relação. Leve a receita e responda tudo com sinceridade.

5. Por que um hemocentro aceita e o outro não?

Porque o Ministério da Saúde define regras gerais, mas cada serviço de hemoterapia tem autonomia para fixar seus próprios critérios clínicos.

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Mariana lembra que, às vezes, a barreira nem é a cannabis. "Em alguns casos, o que pesa na avaliação é a própria condição que está sendo tratada, não o medicamento. Por isso o melhor caminho é o mais simples: perguntar ao hemocentro antes de doar", afirma a médica.

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