As canetas para emagrecimento e o uso do tecido adiposo como ferramenta de medicina regenerativa estão entre os temas que ganham destaque na Jornada Paulista de Cirurgia Plástica 2026, em encontro que começou na quarta-feira (3/6) e termina neste sábado (6/6) em São Paulo, capital.
De um lado, especialistas discutem como os medicamentos para perda de peso estão mudando o perfil dos pacientes que chegam aos consultórios de cirurgia plástica. Do outro, apresentam avanços que transformaram a gordura corporal em uma importante aliada na regeneração de tecidos, tratamento de cicatrizes e reconstruções.
Segundo o Daniel Regazzini, cirurgião plástico e diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), os medicamentos à base de agonistas de GLP-1 estão produzindo uma mudança significativa na demanda por procedimentos.
“As canetas mudaram tudo. Hoje recebemos cada vez mais pacientes com flacidez importante após perdas expressivas de peso. A chamada ‘face Ozempic’ tornou-se uma realidade nos consultórios, e observamos aumento da procura por cirurgias faciais e corporais para correção do excesso de pele e da perda de volume”, afirma.
O especialista ressalta que os efeitos vão além da estética e exigem atenção especial no planejamento cirúrgico.“Esses medicamentos retardam significativamente o esvaziamento gástrico, o que tem impacto direto na segurança anestésica. Por isso, a suspensão adequada da medicação e o acompanhamento nutricional são fundamentais antes de qualquer procedimento cirúrgico”, explica.
Outro tema que ganha espaço na programação é a medicina regenerativa baseada no tecido adiposo. O assunto será abordado por Ronaldo Righesso, cirurgião plástico e vice-presidente da SBCP.
Segundo ele, a descoberta de células-tronco e fatores de crescimento presentes na gordura transformou a forma como os especialistas enxergam o tecido adiposo.“Durante muitos anos a gordura foi vista apenas como um material de preenchimento. Hoje sabemos que ela possui propriedades regenerativas importantes e pode atuar na melhora da qualidade dos tecidos, influenciando processos inflamatórios e cicatriciais”, afirma.
Além do rejuvenescimento facial, os enxertos de gordura vêm sendo utilizados em pacientes com sequelas de radioterapia, deformidades pós-traumáticas, atrofias teciduais e alterações cicatriciais.“Estamos observando aplicações que vão muito além da estética. O tecido adiposo pode contribuir para a recuperação dos tecidos, melhorar a qualidade da pele e auxiliar no tratamento de cicatrizes hipertróficas e queloides”, destaca Righesso.
O especialista acrescenta que um dos desafios atuais é aumentar a previsibilidade da integração dos enxertos e reforça que o sucesso do tratamento também depende dos hábitos do paciente.“Inflamação crônica, tabagismo, má alimentação e síndrome metabólica prejudicam a integração dos enxertos. Não basta apenas melhorar a técnica. O paciente também precisa preparar o terreno para receber esses tratamentos”, ensina.
Perfil
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) é uma das maiores associações mundiais da especialidade. Fundada em 1948, é o órgão oficial da Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina a conferir o título de especialista em cirurgia plástica.
SBCP é uma associação civil sem fins lucrativos, de caráter científico e âmbito nacional, que tem como missão zelar pelo renome e conceito da cirurgia plástica no Brasil, bem como contribuir para o seu progresso, promovendo o aperfeiçoamento dos conhecimentos especializados e incentivando a formação de especialistas.
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