O debate sobre os implantes hormonais no Brasil ganhou contornos de uma crise de saúde pública que ultrapassa a questão estética. O país enfrenta uma "demonização" destes dispositivos, frequentemente reduzidos ao termo pejorativo "chip da beleza". Enquanto isso, cerca de 10 milhões de brasileiras que sofrem com endometriose — uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva, segundo o Ministério da Saúde — têm seu direito ao tratamento ameaçado por uma possível reserva de mercado e pelo desabastecimento de opções industriais.
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O cenário tornou-se crítico após a descontinuação do único medicamento industrializado de referência para o tratamento da doença no país. Este vácuo no mercado transformou o setor de farmácias magistrais no último recurso para pacientes que dependem da gestrinona para bloquear a progressão de enfermidades incapacitantes como a endometriose e a adenomiose.
Atualmente, este setor cresce 8% ao ano no Brasil, movimentando milhares de empregos, mas enfrenta uma ofensiva coordenada de setores tradicionalistas da medicina que acabam interferindo no tratamento de pacientes com endometriose, adenomiose, miomatose e os sintomas debilitantes da menopausa e andropausa.
Para o ginecologista Walter Pace, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Personalizada (SBMP), é urgente "separar o joio do trigo" no debate público. Walter alerta que o uso indevido de hormônios para fins estéticos por profissionais antiéticos não pode servir de pretexto para punir mulheres que sofrem de doenças crônicas.
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Segundo o médico, o implante é uma via de administração segura e eficaz, sendo muitas vezes a última linha de alívio quando métodos convencionais, como géis e pílulas, falham devido à má absorção ou falta de adesão ao tratamento.
Ginecologista Walter Pace, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Personalizada (SBMP)
O endocrinologista Guilherme Renke, vice-presidente da SBMP, reforça que o uso de implantes é uma evolução terapêutica legítima e internacionalmente reconhecida. “Até o FDA (Food and Drug Administration), nos Estados Unidos, revisou e reafirmou recentemente os critérios para o uso de hormônios manipulados, validando a necessidade de opções personalizadas quando a produção em massa não atende às especificidades biológicas de cada paciente.
“O Guideline Europeu também é claro ao afirmar que as terapias hormonais manipuladas podem e devem utilizar vias como os implantes subdérmicos para garantir a entrega eficaz de múltiplas hormonas bioidênticas.”
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Amparada em lei federal, a adoção de implantes de etonogestrel pelo SUS para contracepção serve como prova da legalidade e eficácia desta via de tratamento. “Tentar proibir esta prática no Brasil é ignorar o consenso científico global, a legislação e o direito de médicos e pacientes à medicina personalizada", afirma Guilherme.
