Morrer de tristeza existe? Especialista explica
A síndrome do coração partido após repercussão da morte de Marjane Satrapi
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A morte da escritora, cineasta e ilustradora franco-iraniana Marjane Satrapi, autora do premiado "Persépolis", aos 56 anos, repercutiu mundialmente após familiares afirmarem que ela teria morrido de "tristeza", pouco mais de um ano após a perda do marido. Embora não exista confirmação médica sobre a causa do óbito, a declaração reacendeu uma discussão importante: afinal, é possível que um sofrimento emocional intenso afete o coração de forma real e mensurável?
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Segundo a cardiologista Fernanda Weiler, do Hospital Sírio-Libanês de Brasília e diretora do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, existe uma condição reconhecida pela medicina chamada cardiomiopatia de Takotsubo, popularmente conhecida como Síndrome do Coração Partido. "Trata-se de uma disfunção temporária do músculo cardíaco desencadeada por situações de forte estresse emocional ou físico. A pessoa pode apresentar sintomas muito semelhantes aos de um infarto, como dor no peito, falta de ar e palpitações, mas a causa é diferente", explica a especialista.
Descrita pela primeira vez no Japão na década de 1990, a síndrome recebe esse nome porque o formato assumido pelo coração durante a crise se assemelha a uma armadilha utilizada para capturar polvos, chamada takotsubo.
De acordo com estudos publicados pela American Heart Association e pela European Society of Cardiology, a condição representa entre 1% e 3% dos casos inicialmente diagnosticados como síndrome coronariana aguda. Embora seja mais comum em mulheres após a menopausa, pode atingir pessoas de diferentes idades e perfis.
"Eventos como a perda de um ente querido, um divórcio, um diagnóstico grave, acidentes ou até situações positivas muito intensas podem desencadear uma descarga elevada de hormônios do estresse, especialmente adrenalina e noradrenalina, levando a alterações temporárias na função cardíaca", afirma Fernanda.
Apesar de geralmente ser reversível, a Síndrome do Coração Partido não deve ser encarada como algo inofensivo. Estudos internacionais mostram que complicações podem ocorrer, incluindo insuficiência cardíaca, arritmias e, em casos mais raros, choque cardiogênico.
Fernanda ressalta que o episódio também reforça a necessidade de olhar para a saúde de forma integrada. "Durante muito tempo corpo e mente foram tratados separadamente. Hoje sabemos que saúde emocional, qualidade do sono, alimentação, atividade física e manejo do estresse exercem influência direta sobre a saúde cardiovascular. O coração não está desconectado das nossas emoções", destaca.
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A diretora do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida lembra ainda que o luto é uma experiência humana natural, mas que merece acolhimento e atenção quando provoca sofrimento intenso ou persistente. "Buscar apoio psicológico, manter vínculos sociais e cuidar dos hábitos de vida são atitudes que ajudam não apenas a saúde mental, mas também a saúde cardiovascular. O cuidado precisa ser integral", acrescenta Fernanda.