PESQUISA NACIONAL

Nova estratégia atua na leucemia mieloide aguda resistente à quimioterapia

Medicamento mais moderno disponível atualmente para a doença pode desenvolver resistência, que pode ser revertida e permitir, assim, a retomada do tratamento

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Pesquisadores brasileiros propõem uma nova técnica que pode aprimorar o tratamento de leucemia mieloide aguda (LMA), um subtipo agressivo e de rápida progressão do câncer que atinge as células sanguíneas. Pacientes que têm utilizado o quimioterápico mais moderno disponível atualmente para a doença, o venetoclax, desenvolvem resistência à medicação e param de responder ao tratamento, após cerca de dois anos de uso.

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A resistência desenvolvida pelas células tumorais é consequência de uma reprogramação metabólica, processo que pode ser revertido com o uso de fármacos inibidores de uma enzima específica, a nicotinamida fosforibosiltransferase (Nampt), que age em mais de um mecanismo de produção de energia, sendo essencial para a sobrevivência das células de câncer.

Um exemplo bastante conhecido de fármaco que impede a produção de energia celular por meio de um desses mecanismos é a metformina, medicamento amplamente utilizado para o tratamento de diabetes tipo 2.

Observando resultados de diferentes estudos, os cientistas chegaram à conclusão de que essa resistência pode ser revertida, o que tornaria os pacientes sensíveis ao medicamento novamente e permitiria a retomada do tratamento. A descoberta foi publicada na forma de um editorial científico que ganhou destaque na capa da edição de abril da revista científica Translational Cancer Research.

De acordo com o pesquisador João Agostinho Machado Neto, professor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) e responsável pela publicação, o editorial tem como principal objetivo informar aos pesquisadores da área que existe um novo paradigma científico sendo construído.

A afirmação é baseada em estudos desenvolvidos por cientistas da USP, no Brasil, de Groningen, na Holanda, e do Texas, nos Estado Unidos, que chegaram a conclusões semelhantes mesmo trabalhando de maneira independente. “O artigo teve o intuito de mostrar que estamos convergindo para um conhecimento que merece um olhar mais cuidadoso e crítico, porque pode ter aplicação clínica em breve”, ressalta o pesquisador.

O estudo desenvolvido na USP mostra que tanto a metformina quanto um fármaco inibidor de Nampt, chamado de KPT-9274, foram capazes de reverter a resistência adquirida de células tumorais contra o venetoclax.

Enquanto isso, os pesquisadores de Groningen trabalharam com linhagens celulares tumorais com resistência intrínseca, desenvolvida naturalmente, e concluíram que as células voltaram a se sensibilizar ao venetoclax diante do tratamento com metformina, além de observarem um efeito ainda mais intenso com a administração combinada ao KPT-9274.

Por fim, o grupo de pesquisadores do Texas utilizou células resistentes à quimioterapia padrão, que utiliza o citarabina, e observou que a administração do fármaco inibidor de Nampt também ressensibilizou as células tumorais ao tratamento quimioterápico.

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Segundo os pesquisadores, a questão principal agora é definir a melhor forma de converter esses resultados pré-clínicos em estratégias clinicamente viáveis. O professor João Agostinho diz que o grupo de pesquisa do Brasil já deu início a um estudo clínico com essa que usa dessa conduta.

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