A maternidade é uma das maiores transformações do ciclo de vida feminino. Mais do que um momento de espera, a gestação e o pós-parto vêm acompanhados de uma mudança estrutural e funcional do cérebro.

De acordo com a Academia Brasileira de Neurologia (ABN), durante a gravidez, o cérebro da mulher passa por um processo chamado "poda neural", em que há uma redução no volume da massa cinzenta em áreas envolvidas no processamento de informações e controle de emoções.

Mas essa redução não é prejudicial. Pelo contrário, ela otimiza as conexões, tornando as regiões cerebrais mais sensíveis aos sinais do recém-nascido. Essa especialização aumenta a capacidade de atenção, a empatia e a percepção de riscos para a criança.

O fenômeno "mommy brain"

A ABN esclarece que os lapsos de memória e a dificuldade de concentração — popularmente conhecidos como "mommy brain" — têm base neurobiológica. Enquanto a massa cinzenta se especializa, a massa branca, que facilita a comunicação entre diferentes regiões cerebrais, tende a aumentar para fortalecer a regulação emocional e a tomada de decisões sob demanda.

Essas mudanças cognitivas profundas fazem com que o cérebro priorize os cuidados com o bebê, o que pode resultar em esquecimentos temporários de tarefas cotidianas menos urgentes. A mesma plasticidade que permite a adaptação materna também pode aumentar a vulnerabilidade a distúrbios emocionais.

A ABN destaca a importância de diferenciar as condições:

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  • Baby Blues: condição passageira que atinge de 50% a 70% das puérperas, durando até duas semanas após o parto. É caracterizada por oscilações de humor e ansiedade, ligadas à queda brusca de progesterona
  • Depressão pós-parto: quadro clínico mais severo que atinge de 10% a 15% das mães. Os sintomas incluem tristeza profunda, falta de energia e dificuldade de vínculo com o bebê, podendo surgir meses após o parto e durar mais de um ano

Como manter a saúde cerebral?

Para vivenciar essas transformações com mais leveza, a Academia Brasileira de Neurologia recomenda:

  • Respeitar o ritmo: compreender que a prioridade neurológica é o bebê ajuda a reduzir a ansiedade
  • Rede de apoio: aceitar ajuda para tarefas domésticas permite o descanso necessário para a regulação emocional
  • Sono e alimentação: cochilos curtos e dieta equilibrada são fundamentais para a recuperação física e cognitiva
  • Atenção aos sinais: caso sentimentos de incapacidade ou tristeza persistam por mais de duas semanas, a busca por ajuda profissional é indispensável
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