A morte de uma criança de 11 anos na segunda feira (4/5), em Contagem, na Região Metropolitana da capital, por meningite bacteriana, reacendeu o alerta para as formas mais graves da doença. Segundo a prefeitura do município, não há registro de outros casos relacionados até o momento. Ainda assim, o episódio chama atenção para a rápida evolução do quadro e a importância da prevenção.
Entenda a doença
Frequentemente tratada como uma condição única, a meningite é, na verdade, um termo amplo. De acordo com José Geraldo Leite Ribeiro, epidemiologista do Hermes Pardini, trata-se da inflamação das meninges - membranas que envolvem o sistema nervoso -, que pode ter diferentes causas. “Essa inflamação pode ser provocada por agentes infecciosos, como vírus, bactérias e fungos, ou até por substâncias químicas”, explica.
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Entre as causas infecciosas, as bactérias são responsáveis pelos quadros mais graves. Isso porque a doença tende a evoluir rapidamente e apresenta maior risco de morte e de sequelas. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de uma em cada seis pessoas com meningite bacteriana não sobrevive. Entre os que se recuperam, aproximadamente um em cada cinco pode desenvolver complicações permanentes, como perda auditiva, déficits cognitivos, convulsões, paralisia e problemas de visão.
A progressão pode ser acelerada, o que torna o reconhecimento dos sintomas fundamental. Febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, vômitos e confusão mental estão entre os principais sinais de alerta. Diante de qualquer suspeita, a orientação é buscar atendimento médico imediato.
Principal forma de prevenção
Diversas bactérias podem causar a doença, sendo as mais comuns a Neisseria meningitidis (meningococo) e o Streptococcus pneumoniae (pneumococo). No caso da meningite meningocócica, existem diferentes sorogrupos. “Hoje, o sorogrupo B é o principal responsável pelos casos em crianças no Brasil”, destaca o especialista.
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Diante desse cenário, a vacinação é considerada a estratégia mais eficaz de prevenção. A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda a proteção combinada com duas vacinas: a ACWY, que cobre os sorogrupos A, C, W e Y, e a vacina contra o sorogrupo B - responsável por cerca de 60% dos casos no país desde 2023, segundo o Ministério da Saúde. A vacina contra o sorogrupo B está disponível apenas na rede privada.
