Quando o bebê mantém a cabeça inclinada ou virada quase sempre para o mesmo lado, o quadro pede avaliação. O torcicolo muscular congênito é uma condição reconhecida na pediatria e pode limitar a mobilidade cervical, dificultar movimentos esperados do desenvolvimento motor e favorecer assimetrias cranianas quando não identificado cedo. Esse quadro é descrito em revisão publicada na Pediatrics in Review, da Academia Americana de Pediatria.

No bebê, o problema costuma ter origem ainda na gestação ou no parto. Entre os fatores associados descritos na literatura estão posicionamento intrauterino, trauma de parto e alterações do músculo esternocleidomastoideo. O resultado é uma restrição de movimento no pescoço, que pode fazer a criança manter a cabeça quase sempre na mesma direção.

“O torcicolo está totalmente ligado à alteração do desenvolvimento motor. Às vezes o bebê não consegue engatinhar, não faz o apoio em quatro, e o ‘x’ da questão pode ser um torcicolo não tratado”, afirma o fisioterapeuta pediátrico Icaro Ramalho.

Ligação com a cabeça do bebê

A relação entre torcicolo e assimetria craniana aparece de forma recorrente na literatura. Quando o bebê gira a cabeça sempre para o mesmo lado, tende a apoiar repetidamente a mesma região do crânio. Como os ossos ainda são mais maleáveis nessa fase, a pressão contínua pode alterar o formato da cabeça e favorecer a plagiocefalia posicional, ou seja, o achatamento assimétrico do crânio do bebê.

Esse achado também aparece em estudo publicado na revista Oxford Academic. Os pesquisadores avaliaram 440 bebês saudáveis entre a sétima e a décima segunda semana de vida e estimaram que 46,6% apresentavam algum grau de plagiocefalia.

Segundo Icaro, esse processo começa justamente na limitação cervical. “Na grande maioria das vezes, a causa dessa plagiocefalia vai ser esse torcicolo”, diz. Em outra explicação sobre o tema, ele afirma que, na plagiocefalia, “a disfunção que está relacionada com esse tipo de crânio vai ser essa limitação cervical, vai ser esse torcicolo”.

Quando procurar avaliação?

Segundo o fisioterapeuta, os sinais mais comuns são:

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  • Dificuldade para girar o pescoço dos dois lados
  • Preferência persistente por um lado
  • Inclinação da cabeça
  • Achatamento visível do crânio
  • Desconforto quando o bebê tenta fazer certos movimentos

Nesses casos, a orientação é buscar avaliação com um fisioterapeuta pediátrico. O tratamento costuma incluir orientação aos pais, exercícios e fisioterapia, com melhores respostas quando a intervenção começa cedo. Por isso, o especialista afirma que observar o movimento do pescoço nos primeiros meses é tão importante quanto notar mudanças no formato da cabeça.

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