EUA: congresso mostra avanços contra câncer de pâncreas, pulmão e próstata
Estudos serão apresentados na Sociedade Americana de Oncologia Clínica neste domingo (31)
compartilhe
SIGA
O maior congresso de oncologia do mundo apresenta, neste domingo (31), estudos que podem mudar o tratamento de diferentes tipos de câncer. As pesquisas serão debatidas em Chicago, nos Estados Unidos, durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, que reúne especialistas de vários países até o dia 2 de junho.
Entre os trabalhos mais aguardados estão cinco estudos que serão apresentados na tarde do domingo em sessão plenária sobre câncer de pâncreas, pulmão, próstata e lipossarcoma, um tipo raro de tumor que atinge as partes moles do corpo. As pesquisas apontam para uma tendência cada vez mais forte na oncologia. De acordo com os especialistas, os tratamentos estão mais personalizados e mais direcionados às características de cada tumor.
Um dos principais destaques envolve o câncer de pâncreas, uma das doenças mais agressivas da oncologia. O estudo a ser divulgado avaliou um comprimido desenvolvido para combater uma mutação chamada RAS, presente na maioria dos pacientes com esse tipo de tumor. A medicação teve resultado melhor do que a quimioterapia.
Segundo o oncologista brasileiro Daniel Musse, integrante da ASCO, o avanço chama atenção porque o câncer de pâncreas ainda tem poucas opções eficazes de tratamento.
“O câncer de pâncreas é uma doença agressiva e desafiadora. Mesmo em lugares de primeiro mundo, o tratamento ainda é feito com quimioterapia, e poucos pacientes têm respostas duradouras. Esse comprimido é uma estratégia precisa, com muito menos efeitos colaterais e mais eficácia. Ele faz os pacientes terem um prognóstico melhor e abre uma primeira porta para que outras medicações futuras, ainda mais potentes, possam mudar a história desses pacientes”, explica.
O câncer de pulmão também aparece entre os destaques do congresso. Um dos estudos a avaliou uma droga-alvo pra uma alteração em pacientes que passaram por cirurgia. O tratamento também é feito por comprimido e pode aumentar as chances de cura em um grupo específico de pacientes com câncer de pulmão operado .
Outra pesquisa sobre câncer de pulmão avaliou uma nova classe de medicamentos chamada biespecíficos. A droga foi testada em pacientes com metástase de câncer de pulmão escamoso, um tipo comum em pessoas com histórico de tabagismo. A expectativa é que essa classe de medicamentos ganhe espaço no tratamento da doença nos próximos anos.
No câncer de próstata, os pesquisadores analisaram o uso de uma medicação oral que inibe a testosterona, o hormônio masculino, antes da cirurgia em pacientes com doença localizada na próstata. A proposta é tentar aumentar as chances de cura e reduzir efeitos colaterais do tratamento convencional.
O avanço tem impacto direto para o Brasil. Segundo as Estimativas para o Triênio 2026-2028 do Instituto Nacional de Câncer, o país deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano. O câncer de próstata segue como o tumor maligno mais frequente entre os homens, com 77.920 novos casos anuais. A doença responde por cerca de 15% de todos os novos diagnósticos de câncer no país, considerando homens e mulheres.
“O câncer de próstata é o tumor mais comum nos homens no Brasil e no mundo. Hoje nós tratamos com cirurgia a maioria dos pacientes com doença localizada na próstata, usando tecnologias cada vez melhores, como robôs na cirurgia. Em geral, não fazemos nenhum tratamento antes ou depois da operação quando a doença foi toda retirada. Essa droga feita antes da cirurgia pode diminuir os efeitos colaterais da cirurgia e aumentar as chances de cura”, afirma Daniel Musse.
O quinto estudo envolve uma medicação já usada para bloquear hormônios em pacientes com câncer de mama. Agora, a droga passa a ser avaliada no tratamento do lipossarcoma. Esse é um tipo raro de câncer que pode surgir em tecidos de gordura e partes moles do corpo.
Leia Mais
Para Daniel Musse, os estudos reforçam uma mudança importante na forma de tratar o câncer.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
“A oncologia está caminhando para tratamentos cada vez mais individualizados. A ideia é entender melhor o tumor de cada paciente e escolher medicamentos mais precisos. Isso pode significar mais tempo de vida, mais chance de cura e menos toxicidade”, diz o oncologista.