A saúde masculina deve ser acompanhada desde os primeiros anos de vida. A atenção precoce ao desenvolvimento físico, emocional e sexual dos meninos é fundamental para a prevenção de problemas urológicos, hormonais e psicológicos que podem se manifestar na adolescência ou na vida adulta.

De acordo com o titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e especialista em urologia infantil, Rodrigo Trivilato, o cuidado com a saúde do homem não deve começar apenas na fase adulta. “Costumo dizer que a saúde do homem começa muito antes da vida adulta. Em alguns casos, o acompanhamento já se inicia ainda durante a gestação, a partir dos exames de ultrassom realizados pela mãe”, afirma.

Cuidados na infância

Na infância, os cuidados envolvem a avaliação do crescimento e do desenvolvimento puberal, a observação da micção, como a criança urina, avaliação dos genitais externos, a posição dos testículos e a identificação de alterações como a não descida testicular para a bolsa escrotal, condição conhecida como criptorquidia. A higiene íntima adequada também é um ponto essencial nesse acompanhamento.

O papel dos pais é considerado decisivo nesse processo. Eles devem observar sinais que fogem do esperado, manter consultas de rotina com o especialista e, principalmente, não normalizar alterações que merecem avaliação médica. Além disso, é fundamental criar um ambiente seguro para que a criança se sinta confortável para falar sobre o próprio corpo, sem medo ou vergonha.

“Os pais precisam levar a criança às consultas de rotina e criar um espaço de confiança, onde ela possa falar sobre o corpo e as mudanças que percebe. Isso é essencial para a saúde física e emocional”, destaca o especialista.

A importância da informação

A orientação adequada sobre sexualidade, higiene íntima e mudanças corporais é outro pilar importante da saúde masculina infantil e adolescente. Segundo o médico, a informação correta é a principal ferramenta de prevenção.

“Quando o adolescente entende o que é normal no próprio corpo, aprende a higiene íntima adequada e recebe orientação clara sobre sexualidade, conseguimos reduzir infecções, traumas, ansiedade e vergonha. A informação correta é essencial, inclusive, para a saúde mental”, afirma.

Esse processo contribui não apenas para a prevenção de problemas físicos, mas também para o fortalecimento da autoestima, para relações mais saudáveis e para um comportamento sexual mais consciente ao longo da vida adulta, especialmente em um contexto marcado pela exposição intensa às redes sociais.

Tamanho do pênis: quando a preocupação é válida?

Uma das dúvidas mais frequentes nos consultórios de urologia infantil diz respeito ao tamanho do pênis. Segundo o especialista, na maioria das vezes, essa preocupação é infundada. “O pênis infantil passa por fases de crescimento, e o tamanho na infância não reflete, necessariamente, o tamanho na vida adulta”, explica.

A preocupação médica é legítima apenas em casos raros, como o micropênis - condição definida por critérios clínicos específicos e geralmente associada a alterações hormonais ou genéticas. Fora dessas situações, comparações visuais podem gerar ansiedade desnecessária, especialmente em crianças com sobrepeso, em que a gordura pode ocultar parcialmente o pênis (condição conhecida como pênis embutido).

“Essa ansiedade, muitas vezes, começa nos pais e acaba sendo transmitida para a criança, o que deve ser evitado”, alerta.

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O acompanhamento médico regular, aliado ao diálogo aberto e à informação de qualidade, é fundamental para garantir uma vida adulta mais saudável. Investir na saúde masculina desde a infância é uma estratégia de prevenção que impacta positivamente o bem-estar físico, emocional e social ao longo de toda a vida.

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