Pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, especialmente técnicas com desvio intestinal, como o bypass gástrico em Y-de-Roux (RYGB) e o bypass gástrico de anastomose única, podem apresentar maior propensão ao desenvolvimento da síndrome do supercrescimento bacteriano do intestino delgado (Sibo). 

A condição é caracterizada pelo aumento excessivo de bactérias no intestino delgado e pode estar associada a sintomas relativamente comuns no pós-operatório, como distensão abdominal, flatulência, dor abdominal e alterações do hábito intestinal.

O estudo “Epidemiologia do supercrescimento bacteriano do intestino delgado”, publicado na World Journal of Gastroenterology, indica que a prevalência de Sibo em pacientes bariátricos pode chegar a cerca de 43%, variando conforme o tipo de cirurgia, o tempo de pós-operatório e o método diagnóstico utilizado. 

 

“Esses achados estão diretamente relacionados às alterações anatômicas, fisiológicas e microbiológicas provocadas pela bariátrica, que alteram a motilidade intestinal, criando condições propícias ao crescimento bacteriano excessivo”, explica Karitas Matsunaga, gastroenterologista e hepatologista.

Além disso, o paciente bariátrico frequentemente apresenta sintomas digestivos persistentes que nem sempre podem ser atribuídos apenas às adaptações esperadas da cirurgia. “O Sibo deve ser considerado nesse contexto, especialmente diante de queixas contínuas no pós-operatório”, reforça.

Diagnóstico 

Exames como colonoscopia e testes laboratoriais convencionais não são capazes de confirmar o diagnóstico de Sibo, embora sejam importantes para excluir outras condições. Na prática clínica, os testes respiratórios com análise de hidrogênio, metano e, mais recentemente, sulfeto de hidrogênio, são amplamente utilizados como métodos não invasivos para investigação.

“Esses exames avaliam os gases produzidos pelas bactérias intestinais após a ingestão de substratos específicos. Como esses gases são absorvidos e eliminados pela respiração, é possível identificar padrões anormais de fermentação intestinal”, explica Vera Lúcia Ângelo Andrade, especialista em Gastroenterologia e Doenças Funcionais.

Mais do que confirmar uma hipótese diagnóstica, a investigação adequada é fundamental para evitar que sintomas como distensão abdominal, gases, dor e alterações do hábito intestinal sejam interpretados como consequências inevitáveis da cirurgia bariátrica.

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“Em pacientes com sintomas persistentes, a avaliação individualizada é essencial para diferenciar adaptações fisiológicas do pós-operatório de condições que realmente demandam intervenção específica”, afirma Vera.

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