Durante muito tempo, acreditou-se que o intestino era apenas o órgão responsável pela digestão. Hoje, porém, a ciência mostra que ele exerce um papel muito mais amplo na saúde.

O intestino abriga trilhões de microrganismos que formam a chamada microbiota intestinal. Esse ecossistema participa de processos que vão desde a digestão e absorção de nutrientes até a regulação do sistema imunológico, do metabolismo e da comunicação com o cérebro. 

“Por isso, cuidar do equilíbrio da microbiota do intestino é essencial para a manutenção da saúde, uma vez que os desequilíbrios (ou disbioses) podem estar associados a diversas doenças metabólicas, inflamatórias e neurológicas”, alerta a nutricionista e mestre em nutrição, Ana Cristina Gutiérrez, membro do Conselho Consultivo de Nutrição da Herbalife.

A microbiota intestinal desempenha papel importante na comunicação do eixo microbiota–intestino–cérebro. Evidências científicas, como as publicadas na revista Physiological Reviews, indicam que os microrganismos presentes no intestino podem influenciar o desenvolvimento e o funcionamento do cérebro, estando associados a diferentes condições psiquiátricas, neurológicas e neurodegenerativas. Ainda assim, especialistas ressaltam que se trata de um campo em expansão, e que são necessários mais estudos para compreender os mecanismos envolvidos.

Uma revisão publicada na revista científica Annals of Gastroenterology aponta que a atividade da microbiota intestinal também pode influenciar o cérebro e sistemas neuroendócrinos, estando relacionada à resposta ao estresse, à ansiedade e à memória. Segundo os autores, microrganismos do intestino são capazes de modular a produção de neurotransmissores e metabólitos que afetariam o funcionamento do sistema nervoso central.

A microbiota influencia ainda na produção de substâncias envolvidas no ciclo sono-vigília e na resposta ao estresse, segundo um estudo publicado na revista PLOS ONE. De acordo com a publicação, foi possível encontrar uma associação entre maior diversidade da microbiota intestinal e melhores indicadores de qualidade do sono.

Imunidade

Grande parte das células do sistema imunológico está localizada no intestino, o que explica sua forte ligação com a defesa do organismo. “Dessa maneira, o órgão ajuda a treinar o sistema imune para reconhecer agentes nocivos e evitar inflamações excessivas. E se existe um desequilíbrio, pode haver maior risco de inflamação crônica e maior suscetibilidade a infecções”, explica Ana Cristina.


Algumas bactérias intestinais participam da fermentação de algumas fibras alimentares e produzem substâncias chamadas ácidos graxos de cadeia curta, que ajudam a regular o metabolismo da glicose, o armazenamento de gordura e a sensibilidade à insulina. “Não à toa alterações na microbiota têm sido associadas a condições como obesidade e síndrome metabólica”, ressalta a nutricionista.


Como cuidar do seu intestino

Hábitos do dia a dia fazem diferença para manter o intestino saudável e ajudam a favorecer a diversidade e o equilíbrio da microbiota. Confira o que a especialista recomenda:


• Consuma diariamente alimentos ricos em fibras, como frutas, verduras, legumes e grãos integrais. “Os suplementos de fibras também são opções práticas para atingir a meta proposta pela OMS de 25 gramas de fibras por dia”, recomenda a nutricionista.

• Inclua alimentos fermentados, como iogurte, kefir e kombucha, já que eles podem contribuir para a saúde intestinal.

• Evite o excesso de açúcares e gorduras, pois eles impactam o equilíbrio da microbiota.

• Cuide da hidratação para que o intestino funcione adequadamente.

• Pratique atividade física regularmente.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

• Durma bem e controle o estresse.

compartilhe