SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dias ensolarados são perfeitos para um piquenique no parque, levar as crianças para brincar no tanque de areia da praça, explorar trilhas na mata ou simplesmente se estirar sobre o gramado para tomar sol. Tudo muito prazeroso. Mas atenção ao contato com o solo em que você se deita ou pisa.
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"Acordei com uma irritação insuportável nos dois pés. Chorava de tanta coceira. Ficou em carne viva de tanto coçar", diz a gerente financeira Évelin Pacheco, 49, ao relembrar da infecção por bicho geográfico, após caminhar sem calçado em uma praia no litoral de São Paulo.
Além do uso dos medicamentos indicados pelo dermatologista, ela fazia compressa de gelo para aliviar os sintomas. "Mas não melhorava e o bicho foi subindo. Furava os caminhos das larvas com agulha antes de passar a pomada."
O procedimento não é indicado, segundo o dermatologista Daniel Cassiano, diretor da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional São Paulo). "Corre o risco de irritar a pele e abrir uma porta de entrada que pode propiciar uma infecção bacteriana", alerta. "E passar gelo pode causar uma dermatite ao frio."
O bicho geográfico é uma infecção de pele causada por larvas presentes no intestino de cães e gatos infectados. A transmissão ocorre pelo contato direto com terra, areia ou grama contaminados pelas fezes desses animais.
Os sintomas incluem coceira intensa, ardência, inchaço e linhas vermelhas sinuosas -caminho percorrido pela larva. Já o bicho-de-pé (tungíase) é uma parasitose cutânea causada por uma pulga fêmea que vive no solo e penetra na pele. Causa pequenas lesões com ponto escuro central, dor, coceira e inflamação. Nos dois casos, o tratamento envolve antiparasitários.
Outra doença cujos ovos infectantes estão presentes nas fezes de cães e, portanto, encontrados em solo, é a toxocaríase. Aqui, vale o alerta a pais de crianças que brincam em tanques de areia. O contato ou ingestão acidental do parasita provoca febre, dor abdominal, tosse e vermelhidão. "Nem precisa engolir. Pôr a mão suja de solo contaminado na boca já causaria a doença", afirma João Prats, infectologista do hospital Beneficência Portuguesa. Antiparasitários são os medicamentos indicados.
Já quem gosta de passeios em áreas verdes afastadas dos grandes centros deve tomar cuidado ao deitar-se sobre gramados onde circulam capivaras e cavalos. O carrapato-estrela encontrado no solo e na vegetação destes locais se contamina após sugar o sangue de animais infectados, e transmite a bactéria aos humanos ao se fixar na pele por pelo menos quatro horas.
Sentar-se sobre um tecido para fazer piquenique não previne a picada do carrapato, segundo Prats. "Com certeza não é suficiente. Não é exatamente uma toalha que preveniria." Ele indica o uso de calça, camisa comprida e calçado, sobretudo em caso de trilha na mata.
A febre maculosa causa febre alta, dor de cabeça e muscular e vômito, e até complicações graves como insuficiência respiratória, renal, paralisia e morte. No ano passado, 57 pessoas morreram em decorrência da doença, sendo 32 delas no estado de São Paulo, de acordo com o Ministério da Saúde. Devido à gravidade, procure atendimento médico com urgência em caso de suspeita de infecção.
Há ainda doenças transmitidas por inalação de fungos presentes no solo, como a paracoccidioidomicose. Trata-se da principal micose sistêmica no Brasil e uma das principais causas de morte por doenças infecciosas e parasitárias no país, segundo o Ministério da Saúde. Os sintomas são acometimento do sistema retículo endotelial e pulmonar e surgimento de gânglios. Ainda de acordo com o órgão, há frequentes sequelas no sistema nervoso central e linfático, pulmões, pele, laringe e traqueia. O tratamento inclui antifúngicos e antibióticos.
A esporotricose é outra doença causada por fungo, que penetra na pele por ferimentos decorrentes do contato com vegetação contaminada. A micose subcutânea gera nódulos e feridas na pele, que podem se espalhar pelo sistema linfático. A gravidade aumenta quando atingi ossos, articulações, pulmões e fígado, provocando dor, inchaço, tosse e febre.
DICAS DE PREVENÇÃO E CUIDADO
- Use sempre um tecido grosso para sentar-se sobre gramado, areia ou terra
- Vista calça, camisa de manga comprida e calçado adequado em trilhas ou região de mata
- Lave as mãos após contato com qualquer tipo de solo
- Evite que crianças coloquem a mão na boca ao brincar onde animais circulam
- Verifique a presença de carrapatos no corpo, após frequentar local com animais
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- Consulte um clínico geral, dermatologista ou infectologista, em caso de suspeita de infecção
