Enquanto cresce a preocupação com escolhas mais saudáveis à mesa, um fator essencial ainda é pouco debatido no dia a dia: a origem desses alimentos. Muito antes de chegarem ao prato, frutas, legumes, verduras e grãos dependem diretamente das condições do solo em que são cultivados, pois é ali que começa, de fato, a qualidade nutricional do que consumimos.
 

A relação é direta: solos férteis, equilibrados e biologicamente ativos favorecem a formação de alimentos mais ricos em vitaminas e minerais. Já áreas degradadas, com perda de matéria orgânica ou manejo inadequado, tendem a produzir alimentos menos nutritivos, o que pode impactar silenciosamente a saúde da população ao longo do tempo.

No Brasil, compreender esse desafio ganha ainda mais relevância, já que grande parte dos solos agrícolas é naturalmente ácida e altamente suscetível ao desgaste, como afirma Valter Casarin, coordenador-geral da iniciativa de conscientização Nutrientes para a Vida (NPV). Por outro lado, o também agrônomo ressalta que o país é referência em técnicas que permitem reverter esse cenário, a partir do uso de calcário, fertilizantes e tecnologias de manejo, que permitem não apenas aumentar a produtividade no campo, mas também o valor nutricional das lavouras.

Veja 5 curiosidades para entender como o solo influencia diretamente o que chega à sua mesa:
 
 
A aparência dos alimentos importa
Existem certas relações entre a aparência do produto agrícola e a deficiência de algum nutriente. Por exemplo, quando alimentos estão baixos em cálcio e Boro, por terem funções estruturais na parede celular, podem gerar talo oco na couve-flor e do repolho, rachaduras no fruto da laranja, podridão estilar do tomate, “bitter pit” em macieira, o crestamento do miolo da alface, deformidades no mamão e rachadura entre os frutilhos do abacaxi.
Os alimentos podem ter nutrientes diferentes 
Apesar da aparência poder indicar certas deficiências, dois alimentos visualmente idênticos podem ter valores nutricionais diferentes, dependendo das condições do solo onde foram cultivados. A densidade de vitaminas e minerais varia conforme o manejo e a disponibilidade de nutrientes no solo.
Fertilizantes são aliados estratégicos 
Por estar em região tropical, o país tem solos mais intemperizados e pobres em nutrientes do que regiões de clima temperado. Isso faz com que o uso estratégico de fertilizantes seja essencial para garantir produtividade do solo e o potencial nutricional dos alimentos cultivados nele.
Microrganismos fazem diferença 
A presença de vida no solo, como bactérias e fungos, contribui diretamente para a disponibilidade de nutrientes nas plantas. Quanto maior a diversidade biológica, maior tende a ser a qualidade nutricional dos alimentos produzidos.
Tecnologias “enriquecem” o alimento ainda no campo
Técnicas como a biofortificação agronômica, que aumenta os teores de micronutrientes, como ferro, zinco, e vitamina A nas culturas ainda durante o cultivo, ajudam a combater deficiências nutricionais de forma preventiva.
A integração de boas práticas agrícolas que contribuam para um solo sadio resulta na promoção da saúde pública. É o que garante Casarin. "Ampliar o debate sobre alimentação saudável no Brasil ao destacar políticas de incentivo à boa gestão do solo pode, portanto, ter impactos diretos na redução de deficiências nutricionais em populações já vulneráveis”, acrescenta o agrônomo.
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