Com a transição do verão para o outono, pediatras observam um aumento nos casos de broncoespasmo em crianças. O período coincide com maior circulação de vírus, mudanças climáticas e o retorno das atividades escolares, fatores que favorecem o surgimento de crises respiratórias.
Dados do Ministério da Saúde mostram que doenças do sistema respiratório estão entre os principais motivos de atendimento em emergências pediátricas durante os meses mais frios, sendo a bronquiolite, frequentemente associada ao broncoespasmo, o principal motivo de internação por infecções pulmonares em crianças menores de um ano.
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Segundo o pneumologista pediátrico Cláudio D’Elia, do Prontobaby – Hospital da Criança, essa combinação cria um cenário propício para o aumento dos atendimentos pediátricos neste período.
“O mês de março marca a passagem do verão para o outono e há maior circulação de vírus altamente contagiosos. Eles podem provocar crises de broncoespasmo, causando estreitamento das vias aéreas e dificuldade para respirar”, explica o especialista.
Agentes mais comuns
Entre os agentes mais comuns está o vírus sincicial respiratório (VSR), considerado um dos principais responsáveis por quadros respiratórios graves em crianças pequenas. Estudos e relatórios de saúde indicam que ele pode estar associado a até 75% dos casos de bronquiolite e cerca de 40% das pneumonias em períodos de maior circulação viral, principalmente em bebês e crianças menores de dois anos.
Além da presença de vírus, as alterações climáticas também influenciam diretamente a saúde infantil. Com a queda das temperaturas e a redução da umidade do ar, as vias aéreas ficam mais sensíveis e suscetíveis à inflamação.
“Durante os períodos de clima frio e seco há comprometimento da resposta imune das vias aéreas e os vírus conseguem permanecer por mais tempo no ambiente. Por isso, infecções respiratórias e episódios de broncoespasmo tendem a aumentar nessa época do ano”, afirma o médico.
Outro fator que contribui para o surgimento e o aumento de casos é o retorno às aulas. Ambientes fechados e com pouca ventilação facilitam a transmissão de vírus entre as crianças, que passam muitas horas próximas umas das outras.
“As crianças em idade escolar podem se tornar fonte de contágio dentro de casa, transmitindo os vírus para irmãos menores”, destaca o especialista.
Bebês e crianças pequenas estão entre os grupos mais vulneráveis aos quadros respiratórios. Isso ocorre porque possuem vias aéreas mais estreitas e um sistema imunológico ainda em desenvolvimento.
“Os bebês têm vias aéreas mais curtas e estreitas, e o sistema de defesa ainda é imaturo. Quando ocorre uma infecção viral, qualquer inflamação ou produção de muco pode bloquear rapidamente a passagem do ar, levando ao chiado e à dificuldade para respirar”, explica Cláudio.
Estudos indicam que infecções virais das vias aéreas estão entre os principais motivos de hospitalização em crianças pequenas e que o vírus sincicial respiratório pode estar presente em 23% a 61% das internações por infecções de vias respiratórias inferiores em bebês.
Broncoespasmo e asma
Apesar de muitas vezes serem confundidos, broncoespasmo e asma não são exatamente a mesma condição. O broncoespasmo é um sintoma que pode ocorrer mesmo em crianças sem diagnóstico prévio da doença.
“O broncoespasmo é a contração dos músculos das vias aéreas, que pode ser desencadeada por infecções virais, alérgenos ou fatores ambientais. Já a asma é uma doença crônica caracterizada por inflamação persistente das vias aéreas e crises recorrentes”, esclarece o pneumologista.
Em alguns casos, os episódios respiratórios podem evoluir rapidamente e exigir atendimento médico imediato. Entre os sinais de alerta estão respiração acelerada, esforço intenso para respirar, retração entre as costelas ou no pescoço, dificuldade para falar ou se alimentar e coloração arroxeada nos lábios.
“Se a criança apresentar respiração muito rápida, retrações no peito ou lábios arroxeados, os pais devem procurar imediatamente um pronto-socorro”, orienta o especialista.
Medidas preventivas podem ajudar a reduzir o risco de novos episódios durante essa época do ano. Manter a vacinação em dia, evitar exposição ao fumo e à poluição, hidratar as vias nasais com soro fisiológico e manter ambientes ventilados estão entre as principais recomendações.
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“A prevenção envolve controlar fatores ambientais, reduzir a exposição a alérgenos e manter as vacinas atualizadas. Essas medidas ajudam a diminuir os gatilhos que desencadeiam crises respiratórias”, reforça o médico.
