Lembrado neste sábado (21/3) o Dia Internacional da Síndrome de Down amplia, a cada ano, o debate sobre inclusão, direitos e qualidade de vida das pessoas com a condição. Um amplo estudo publicado em outubro de 2024 na Clinical Child and Family Psychology Review trouxe um novo foco à discussão: o impacto emocional sobre irmãos de pessoas com deficiência intelectual e autismo.
A pesquisa compilou mais de uma década de estudos, reunindo dados de mais de 10 mil participantes para compreender a construção psicológica desses irmãos. Os resultados apontam um cenário multifacetado: é frequente que assumam responsabilidades precoces de cuidado e proteção, mas os efeitos emocionais variam conforme a dinâmica familiar, a comunicação interna e o acesso a suporte psicológico especializado.
As análises se concentraram na relação entre irmãos, na chamada "parentificação", quando o irmão assume funções típicas dos pais, e no contexto emocional e comportamental desses jovens. Entre os achados, aparecem tanto aspectos positivos, como maior empatia, maturidade e senso de propósito, quanto desafios relevantes, como ansiedade, ambivalência emocional e preocupação intensa com o futuro.
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A severidade da deficiência é um fator que pode intensificar impactos negativos na dinâmica familiar. Ainda assim, o estudo destaca que a qualidade da comunicação familiar e o acesso a apoio profissional são determinantes para transformar desafios em fortalecimento emocional.
“É comum que irmãos assumam responsabilidades desde cedo, inclusive com preocupações sobre o futuro. Quando não há diálogo claro e apoio adequado, isso pode gerar sofrimento silencioso”, afirma a pediatra Anna Dominguez Bohn.
Acompanhamento profissional e orientação parental têm impacto significativo na saúde mental de toda a família, diz Anna
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Segundo a especialista, incluir os irmãos na linha de cuidado é essencial. “Irmãos podem desenvolver empatia e maturidade importantes, mas isso não deve ocorrer à custa de sobrecarga emocional. O acompanhamento profissional, grupos de apoio e orientação parental têm impacto significativo na saúde mental de toda a família”, destaca.
Outro ponto observado na pesquisa é a questão de gênero: irmãs tendem a assumir maior grau de responsabilidade no cuidado, evidenciando a sobrecarga feminina que frequentemente atravessa diferentes fases da vida. Ampliar o olhar para além da pessoa com deficiência e dos pais é um passo necessário.
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“Estruturar estratégias de rastreamento psicológico, oferecer apoio preventivo e garantir comunicação aberta dentro das famílias são medidas que contribuem para um desenvolvimento mais saudável de todos os envolvidos”, destaca a pediatra.
