Celebrado em 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade chama atenção para uma das principais ameaças à saúde pública global. Para o endocrinologista Rodrigo Magalhães, da Hapvida, é fundamental compreender que a obesidade é  muito mais do que excesso de peso. Trata-se de uma doença crônica, multifatorial e inflamatória, que altera o metabolismo do corpo e aumenta o risco de complicações graves.
 
 
No Brasil, o cenário é preocupante. Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025, publicado pela World Obesity Federation, aponta que 68% da população está com excesso de peso, desses 31% vivem com obesidade e 37% com sobrepeso. A doença aumentou 72% nos últimos treze anos no país e pode crescer ainda mais até 2030. A expectativa é de alta de 33,4% entre homens e 46,2% entre mulheres.
 
Obesidade: uma doença crônica e inflamatória

Segundo o endocrinologista Rodrigo Magalhães, a obesidade ocorre quando há acúmulo excessivo de gordura corporal que interfere no funcionamento normal do organismo. “O excesso de tecido adiposo não é apenas um depósito de gordura, mas um órgão metabolicamente ativo que libera substâncias inflamatórias, hormônios e sinais químicos que alteram o metabolismo. Esse estado de inflamação sistêmica compromete vários órgãos e sistemas, aumentando o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, problemas articulares e alterações na saúde mental”, explica.

A doença é multifatorial, o que significa que não é causada apenas por hábitos alimentares ou sedentarismo. Genética, hormônios, fatores ambientais, estilo de vida, estresse e determinantes sociais contribuem para o desenvolvimento e agravamento da obesidade. Por isso, ela deve ser tratada como uma condição médica complexa, e não apenas como questão estética ou falta de disciplina.

Impacto econômico

Além do impacto na saúde individual, as consequências econômicas são significativas. A estimativa do Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares (OBHA) é que o excesso de peso possa gerar um custo de até 22 bilhões de dólares ao sistema público de saúde do Brasil até 2030. Segundo o Atlas, 60,9 mil mortes prematuras registradas em 2021 estão associadas a doenças crônicas não transmissíveis relacionadas ao sobrepeso e à obesidade, como doenças cardiovasculares, hipertensão, AVC e diabetes tipo 2.

O endocrinologista ressalta que a obesidade não pode ser atribuída apenas a escolhas individuais. “Fatores socioeconômicos têm influência direta no avanço da doença. Pessoas de menor renda tendem a consumir mais alimentos ultraprocessados, geralmente mais calóricos e mais acessíveis do que opções frescas. Jornadas extensas de trabalho, turnos noturnos e privação de sono também impactam o metabolismo e dificultam o controle do peso”, comenta

Fatores hormonais e sedentarismo

O médico também destaca que, entre as mulheres, fatores hormonais como menopausa e hipotireoidismo se somam a questões sociais, como a jornada tripla de trabalho (trabalho, casa e filhos), reduzindo o tempo para atividade física e aumentando o estresse.

O sedentarismo é outro ponto de atenção. Dados do IBGE mostram que entre 40% e 50% dos adultos brasileiros não praticam atividade física na frequência e intensidade recomendadas. A prática regular de exercícios contribui para o controle do peso e para a redução do risco de doenças associadas à obesidade.

O especialista da Hapvida ressalta que o estigma ainda é uma barreira importante. “Muitos pacientes deixam de procurar atendimento por medo de julgamento. Isso atrasa o diagnóstico e dificulta o tratamento.”

Abordagem multidisciplinar

Para o endocrinologista, o tratamento vai além da perda de peso. “A abordagem deve ser multiprofissional, envolvendo médico, nutricionista, psicólogo e educador físico. “Em alguns casos, pode ser necessário o uso de medicamentos que atuam na regulação hormonal da saciedade. Quando indicadas, pode haver a adoção de intervenções terapêuticas específicas, definidas de forma individualizada conforme as necessidades de cada paciente”, ressalta.
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