Em um cenário de crescimento acelerado dos diagnósticos de câncer em pessoas com menos de 50 anos, a biópsia líquida desponta como uma das principais inovações da oncologia. A partir de uma simples amostra de sangue, a técnica permite identificar alterações genéticas do tumor, acompanhar a evolução da doença e apoiar decisões terapêuticas de forma menos invasiva.
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De acordo com André Santos, medical science liaison da Qiagen, por meio dessa nova abordagem é possível acessar informações do tumor sem a necessidade de procedimentos cirúrgicos ou punções. “Isso muda completamente a forma como acompanhamos o câncer e como escolhemos as terapias mais adequadas para cada paciente”, explica.
O avanço dessa tecnologia acompanha um fenômeno global. Um estudo publicado em 2023 no jornal científico BMJ Oncology revelou que a incidência global de câncer de início precoce aumentou 79,1% entre 1990 e 2019. A pesquisa aponta que fatores ligados ao estilo de vida — como sedentarismo, consumo de alimentos ultraprocessados, excesso de álcool e obesidade — estão entre os principais impulsionadores desse crescimento, que deve continuar nas próximas décadas.
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O que é a biópsia líquida e por que ela importa
Diferentemente da biópsia tradicional, que exige a retirada de um fragmento do tumor por cirurgia ou punção, a biópsia líquida analisa vestígios do câncer presentes no sangue. Esses vestígios incluem fragmentos de DNA e RNA liberados pelas células tumorais, além de células cancerígenas circulantes e pequenas partículas chamadas exossomos — que funcionam como “mensageiros” entre as células, carregando informações genéticas e proteínas.
“Esses sinais funcionam como pistas deixadas pelo tumor no organismo. Ao identificá-los, conseguimos entender melhor o comportamento da doença e agir com mais rapidez e precisão”, afirma.
Diagnóstico mais cedo e tratamento personalizado
A principal vantagem da biópsia líquida é permitir uma visão dinâmica do câncer. A técnica pode ser usada para apoiar diagnósticos cada vez mais precoces, monitorar a resposta ao tratamento e identificar alterações genéticas que orientam terapias personalizadas ao longo do tempo.
Na prática, isso significa que o acompanhamento da doença deixa de ser pontual e passa a ser contínuo. “É possível ajustar o tratamento conforme o tumor evolui, o que aumenta as chances de eficácia e reduz intervenções desnecessárias”, destaca o especialista.
Tecnologia e novo perfil do câncer
O crescimento de casos de câncer em adultos jovens reforça a necessidade de ferramentas diagnósticas mais sensíveis e acessíveis. Em um contexto em que a doença deixa de ser associada apenas ao envelhecimento, a biópsia líquida surge como um recurso estratégico para que a medicina de precisão seja aplicada ao dia a dia clínico.
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“A combinação entre inovação tecnológica e diagnóstico molecular representa uma mudança de paradigma na oncologia. Diante do aumento de casos em adultos jovens, a capacidade de entender o tumor em tempo real pode ser decisiva para transformar o diagnóstico e o sucesso dos tratamentos”, afirma André.
