Com a chegada da quarta-feira de cinzas, o Brasil inicia o tradicional período da Quaresma, momento em que o consumo de pescados ganha um significado cultural. No entanto, em 2026, essa transição de hábito não é apenas uma questão de tradição, mas o reflexo de uma mudança estrutural no comportamento do consumidor brasileiro observada ao longo do último ano.

Dados recentes da Scanntech, empresa de inteligência de dados para o varejo e indústria de bens de consumo, revelam que o volume de peixes consumidos cresceu 8,2% entre janeiro e setembro de 2025, consolidando o pescado como uma alternativa nutricional na mesa do brasileiro.

Consumo ideal

Fernanda Nascimento Hermes, nutricionista e coordenadora de nutrição da Afya São João Del Rei, explica que o consumo ideal de peixe por semana seria em torno de três vezes. Contudo, para quem não tem o hábito de incluir esse alimento nas refeições, consumi-lo ao menos uma vez por semana já garante benefícios à saúde. 

“Sempre indicamos formas de preparo como assado ou grelhado, utilizando pouco óleo. Preparações fritas podem levar à perda de parte dos nutrientes, além do acréscimo de gordura proveniente da fritura, o que pode trazer prejuízos à saúde.”

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) o pescado já representa mais da metade (51%) do consumo global de proteínas de origem animal e que a produção mundial ultrapassou 185 milhões de toneladas, com a aquicultura respondendo por mais da metade desta oferta.

Desde os anos 1960, o consumo per capita passou de cerca de 9,1 quilos para 20,7 quilos por habitante ao ano em 2022, e a expectativa é de que até 2030 o mundo precise de mais 24 milhões de toneladas de pescado por ano para atender à demanda crescente, segundo estimativas do IFC Brasil 2025.

Qual a melhor opção para a mesa do brasileiro?

Segundo a nutróloga da Afya Educação Médica Montes Claros, Juliana Couto Guimarães, existem diferenças nutricionais relevantes entre as espécies de peixes, especialmente em relação ao teor de ácidos graxos ômega-3, fundamentais para a saúde cardiovascular e cerebral.

“Os chamados peixes gordos ou de água fria são mais ricos em EPA e DHA, que são as formas biologicamente ativas do ômega-3”, destaca.

Entre eles estão:

  • Salmão
  • Sardinha
  • Atum
  • Cavalinha
  • Arenque

Por outro lado, espécies como tilápia, pescada e linguado apresentam menor teor de ômega-3, embora continuem sendo boas fontes de proteína de alto valor biológico, além de vitaminas e minerais importantes.”

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Ao considerar qualidade nutricional, custo e acessibilidade no contexto brasileiro, a especialista aponta a sardinha como uma das melhores escolhas. “Além de ser rica em ômega-3, a sardinha também fornece cálcio, especialmente quando consumida com a espinha, e vitamina D. Outro ponto positivo é o menor risco de contaminação por metais pesados, quando comparada a peixes de grande porte”, explica a nutróloga. 

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