Naiara Ribeiro - Com a volta às aulas e o aumento do convívio entre as crianças, casos de piolho são sempre um assunto entre famílias e escolas. A infestação, conhecida como pediculose, é comum na idade escolar e não está relacionada à falta de higiene. O principal fator de risco é o contato direto, especialmente cabeça com cabeça, muito frequente durante brincadeiras no ambiente escolar. 

Segundo a pediatra Alana Zorzan, cofundadora do aplicativo Mini Löwe, a transmissão ocorre justamente nesse tipo de interação. “Abraços, brincadeiras e a proximidade entre as crianças facilitam a disseminação do piolho”, explica. A identificação precoce ajuda a reduzir o desconforto da criança e evita novos ciclos de infestação. 

Como acontece a transmissão?

A pediculose se espalha principalmente pelo contato direto, algo comum na rotina escolar, mas também pode ocorrer por meio de objetos compartilhados. As situações mais frequentes envolvem:

- Contato próximo com uma pessoa infestada

Compartilhamento de pentes, escovas, bonés e acessórios de cabelo

- Uso comum de roupas de cama ou toalhas

A pediatra afirma que qualquer pessoa pode ter piolho, independentemente de hábitos de higiene ou condição social.

Quais são os principais sintomas?

Os sinais costumam surgir de forma progressiva e, muitas vezes, passam despercebidos no início. Entre os mais comuns estão:

- Coceira intensa e persistente no couro cabeludo

- Pequenos pontos vermelhos, semelhantes a picadas de inseto

- Irritação ou sensibilidade no couro cabeludo 

- Presença de piolhos, pequenos e de coloração acinzentada, bege ou marrom

- Lêndeas (ovos) grudadas aos fios, próximas à raiz, que não se soltam como caspa

Ao notar esses sinais, a orientação da médica é iniciar o tratamento o quanto antes. “O uso do pente fino ajuda a remover piolhos e ovos. Medicamentos devem ser utilizados apenas com orientação profissional, seguindo corretamente o modo de uso”, reforça Alana.

Entender o ciclo do piolho ajuda no tratamento

Conhecer as etapas de desenvolvimento do piolho ajuda a explicar por que o acompanhamento não deve ser interrompido antes do tempo.

- As lêndeas levam cerca de sete a dez dias para eclodir

- Após a eclosão, o piolho jovem demora até 12 dias para atingir a fase adulta

- O piolho adulto pode viver cerca de 30 dias no couro cabeludo 

Por isso, em alguns casos, pode ser necessário repetir o tratamento para evitar a reinfestação.

Como tratar e evitar novos casos

O tratamento envolve tanto o cuidado com a criança quanto com o ambiente. Entre as principais orientações estão:

- Uso regular do pente fino, com o cabelo seco ou molhado, dividido em mechas

- Lavagem de roupas de cama, toalhas e peças usadas recentemente em água quente

- Atenção para não compartilhar objetos de uso pessoal durante o período de tratamento

- Quando indicado, podem ser usados produtos específicos

Xampus e loções devem ser aplicados conforme orientação profissional, respeitando o intervalo recomendado. Em situações específicas, medicamentos orais podem ser considerados, sempre com prescrição médica.

Alana ressalta que o afastamento prolongado da escola não é indicado. “Quando o piolho é identificado, ele geralmente já está presente há algum tempo. O ideal é iniciar o tratamento e permitir o retorno às aulas para evitar prejuízos pedagógicos e estigmatização”, afirma.

O que deve ser evitado

Algumas práticas comuns podem agravar o problema ou causar irritação no couro cabeludo. Por isso, a recomendação é evitar:

- Automedicação e uso de produtos sem orientação

- Soluções caseiras sem comprovação, como substâncias tóxicas ou irritantes

- Uso repetido de produtos fortes sem necessidade

Quando o tratamento não é feito de forma adequada, podem surgir complicações.

Possíveis impactos da infestação de piolhos

Além do desconforto físico, a pediculose pode trazer consequências quando persiste por muito tempo, como:

- Infecções bacterianas secundárias

Irritação e dermatite no couro cabeludo

- Impactos emocionais, como constrangimento e isolamento

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Para a pediatra, informação e acolhimento fazem parte do cuidado. “Piolho não é sinal de descuido. O foco deve ser orientar, tratar corretamente e reduzir o constrangimento, que muitas vezes afeta a autoestima da criança”, enfatiza. 

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