DESCANSO E EVOLUÇÃO
Aproveite o verão para treinar e recuperar o corpo; saiba como
A recuperação deve ser encarada como parte ativa do planejamento de treino, especialmente nos meses mais quentes
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10/02/2026 12:19
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Durante muito tempo, a ideia de treino esteve associada apenas ao momento do esforço físico. No entanto, a ciência do exercício tem mostrado de forma cada vez mais clara que os resultados não acontecem enquanto o corpo está sendo exigido, mas principalmente no período em que ele descansa. No verão, quando o calor impõe uma sobrecarga extra ao organismo, essa lógica se torna ainda mais evidente: recuperação também é treino , e talvez o mais negligenciado.
Altas temperaturas aumentam o estresse fisiológico do corpo. Para manter a temperatura interna estável, o organismo intensifica a sudorese, acelera os batimentos cardíacos e consome mais energia mesmo em atividades moderadas. Esse cenário impacta diretamente a musculatura, o sistema nervoso e a qualidade do sono, tornando o descanso um pilar indispensável para quem deseja manter a regularidade dos exercícios sem comprometer a saúde.
Dormir bem, por exemplo, é um dos fatores mais importantes no processo de recuperação muscular. É durante o sono profundo que ocorre a liberação de hormônios essenciais para a regeneração dos tecidos, a consolidação da memória motora e o equilíbrio metabólico. No verão, porém, noites mal dormidas são mais comuns, seja pelo calor excessivo, pela desidratação ou pela alteração na rotina. A consequência é um corpo que demora mais a se recuperar, apresenta maior risco de dores musculares e queda de desempenho ao longo dos treinos.
Além do sono, o descanso entre as sessões de treino e as estratégias de relaxamento têm papel decisivo na prevenção de lesões e no controle da fadiga acumulada. Ignorar esses momentos pode levar a um ciclo perigoso: o corpo não se recupera completamente, o rendimento cai e o risco de inflamações e desconfortos musculares aumenta.
Para o professor de Educação Física, especialista em treinamento de alto rendimento e pós-graduado em Nutrição pela USP, a recuperação deve ser encarada como parte ativa do planejamento de treino, especialmente nos meses mais quentes. “As pessoas costumam valorizar muito o treino e pouco a recuperação, mas é no descanso que o corpo evolui. No verão, quando o desgaste é maior, respeitar o sono, o descanso e investir em relaxamento deixa de ser opcional e passa a ser fundamental”, afirma.
O relaxamento muscular, nesse cenário, não deve ser visto apenas como um momento de conforto, mas como uma estratégia funcional para manter o corpo apto ao exercício. Técnicas que estimulam a circulação sanguínea, reduzem tensões e aliviam a rigidez muscular ajudam a acelerar o processo de recuperação e preparam o organismo para o próximo estímulo, criando um ciclo mais saudável e sustentável de treino.
Como parte desse processo de recuperação, contar com soluções voltadas ao relaxamento pós-treino e à prevenção de dores pode ajudar a reduzir o impacto do esforço físico, especialmente em períodos de calor intenso, quando o corpo demanda ainda mais cuidado.
Segundo Atalla, incorporar esse tipo de cuidado à rotina faz diferença no longo prazo. “Cuidar da recuperação é uma forma inteligente de continuar treinando. Quem dorme melhor, relaxa mais e cuida do corpo consegue manter a regularidade, sente menos dores e tem mais prazer em se exercitar”, destaca.
No verão, quando a motivação para se movimentar costuma aumentar, entender que descanso também faz parte do treino é essencial para evitar excessos. Treinar todos os dias sem permitir que o corpo se recupere adequadamente não significa evolução mais rápida , muitas vezes, significa apenas mais cansaço e maior risco de interrupções forçadas por dores ou lesões.
Adotar uma visão mais ampla do exercício físico, que inclua sono de qualidade, pausas estratégicas e recursos de recuperação muscular, é uma forma de respeitar os limites do corpo e garantir consistência ao longo do tempo. Afinal, especialmente no calor, treinar bem não é apenas suar mais, mas saber a hora certa de desacelerar para continuar avançando.