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Estado de Minas PALEONTOLOGIA

Dois ovos de dinossauros estão em Peirópolis, em Uberaba

Exemplares foram entregues anonimamente ao DNPM. Em outubro, o material chegou ao Complexo Cultural, no Triângulo Mineiro, que guarda vários fósseis de dinos encontrados na região


postado em 11/11/2015 15:00 / atualizado em 12/11/2015 20:07

Um dos ovos entregues ao DNPM está em perfeito estado de conservação e não eclodiu(foto: L.Adolfo)
Um dos ovos entregues ao DNPM está em perfeito estado de conservação e não eclodiu (foto: L.Adolfo)
O patrimônio cultural e científico de Uberaba, no Triângulo Mineiro, recebe dois fósseis que confirmam o município como um dos mais importante sítios paleontológicos do país. Acabam de ser apresentados, no Complexo Cultural de Peirópolis, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (CCCP/UFTM), pela primeira vez, dois ovos de dinossauros com pouco menos de 15 centímetros de diâmetro cada um. “Trata-se do mais completo e bem preservado registro desse tipo de fósseis, no país, nos últimos 50 anos”, afirma o professor e pesquisador da instituição, Luiz Carlos Borges Ribeiro. Ele explica que a repatriação do material, cuja devolução ainda está envolta em mistério, só foi possível graças ao auxílio do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

“Este achado poderá, com alguma sorte, se transformar em marco no estudo dos dinossauros no país, talvez a chave para revelar o primeiro embrião fossilizado já descrito aqui”, acredita Ribeiro. No entanto, para quem já imagina os ovos se transformando em dois babyssauros, um aviso: “Não há DNA suficiente para isso. Os ovos estão petrificados, não eclodiram”, esclarece o professor.

Integrado à reserva técnica do Complexo Cultural, no Bairro de Peirópolis, a 20 quilômetros do Centro de Uberaba, onde há outros achados paleontológicos importantes, os ovos serão objeto de muitas pesquisas, pois, de início, só existe a certeza de que têm 70 milhões de anos. Outra informação, considerada confiável pela equipe é que eles teriam saído das pedreiras de calcário localizadas no Bairro de Ponte Alta, distante 30 quilômetros de Uberaba e menos de 15 quilômetros de Peirópolis. Ribeiro lembra que Peirópolis é consagrado pelos seus sítios paleontológicos, de onde originam cerca de 11 espécies únicas no mundo, incluindo quatro grupos de dinossauros já descritos.

DESCOBERTAS
“Não é a primeira vez que ocorrem tais descobertas em Ponte Alta, fato que amplia a escala de grandeza e relevância dos sítios fossilíferos em Uberaba. Como as atividades de mineração, no local, duraram quase um século, não é possível deduzir data, local exato e forma como os dois ovos foram recuperados, pois há várias pequenas lavras de calcário margeando o núcleo urbano”, conta professor. Uma pergunta intrigante é como os exemplares saíram de Uberaba e chegaram a Belo Horizonte, onde foram devolvidos anonimamente este ano ao DNPM – a Uberaba, o retorno ocorreu em 5 de outubro.

Thiago e Luiz Carlos: orgulho de mais um achado fóssil numa das regiões mais ricas nesse material no país(foto: L.Adolfo)
Thiago e Luiz Carlos: orgulho de mais um achado fóssil numa das regiões mais ricas nesse material no país (foto: L.Adolfo)
Sem resposta também fica o motivo da devolução pelo doador não identificado”, observa Luiz Carlos, ao lado do supervisor do CCCP/UFTM, o também paleontólogo Thiago da Silva Marinho. “A atuação do DNPM, órgão de fiscalização, foi fundamental para proteger um bem do patrimônio nacional. O diretor de Fiscalização do órgão, Walter Lins Arcoverde, viu de imediato a necessidade de esses exemplares retornarem à origem, enfim, serem repatriados”, observa Ribeiro.

Uma das possibilidades apontadas pelo paleontólogo é que os ovos entregues sejam do titanossauro, o maior dinossauro brasileiro, que teria 25 metros de comprimento. “Não temos certeza absoluta, tendo em vista a existência de mais de 100 espécies, entre eles o Uberabatitan riberoi”, diz o professor. O “gigante” ganhou esse nome em homenagem à “cidade natal” e ao pesquisador que o descobriu (Luiz Carlos Borges Ribeiro).

SAIBA MAIS...
OVOS DEVOLVIDOS


Idade: 70 milhões de anos. Nenhum dos dois exemplares eclodiu

Origem: Pedreiras de calcário localizadas no Bairro de Ponte Alta, distante 30 quilômetros de Uberaba e menos de 15 quilômetros de Peirópolis

Onde estão: Complexo Cultural e Científico de Peirópolis, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, em Uberaba

Características:

1) O mais completo tem forma esférica, quase perfeita, com mais de 90% da superfície revestida por cascas finas. Com espessuras inferiores a 1,5 milímetro, as cascas são geometricamente arranjadas em forma de mosaico – nem mesmo foi achatado pelo peso das rochas

2) O outro se encontra um pouco amassado. É possível que ambos fizessem parte de uma ninhada maior, Não há informações de onde esses ovos ficaram nos últimos anos

Grupo: pelo tipo de formato do ovo e tipo de casca, os paleontólogos poderão ter ideia do grupo ao qual pertencem. Para confirmar a espécie, somente com restos embrionários

O QUE É PALEONTOLOGIA?
Paleontologia é a ciência que se ocupa dos fósseis e dos registros biológicos com mais de 11 mil anos, indo de pegadas a fezes petrificadas, passando por ossos de animais, folhas e outros elementos. Para chegar aos dias de hoje, essas joias foram conservadas por meio de mumificação, congelamento, âmbar, lagos asfálticos e outros. No entanto, grande parte dos registros fósseis é encontrada em rochas, tais como todos de Uberaba. Em Minas, há áreas de destaque, notadamente Uberada, considerada Terra dos Dinossauros no Brasil, Norte, Noroeste e Sul, além do Vale do Rio das Velhas, principalmente a região cárstica de Lagoa Santa, na Grande BH. Em Uberaba, as descobertas ocorrem nas rochas sedimentares associadas a duas camadas conhecidas pelos cientistas como formações Uberaba e Marília, sendo que a primeira, com o nome da cidade, recobre quase toda a superfície da malha urbana do município. Mais de 90% dos fósseis revelados nas escavações em 70 anos e investigação estão atribuídos à Formação Marília, a exemplo dos dois novos ovos fósseis de dinossauros. Os especialistas ressaltam que Uberaba, município com mais de 4,5 mil quilômetros quadrados, constitui um grande sítio paleontológico, onde, diversas vezes, foram achados fósseis até em obras de construção civil.

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