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Estado de Minas

Pesquisadores descobrem espécie do gênero humano na África do Sul

Ossos de 15 hominídeos foram encontrados em uma caverna. Nova espécie foi batizada de 'Homo Naledi' e classificada dentro do gênero Homo, ao qual pertence o homem moderno


postado em 10/09/2015 06:31 / atualizado em 10/09/2015 11:05

Revista fez a reconstrução de como seria o Homo Naledi(foto: National Geographic)
Revista fez a reconstrução de como seria o Homo Naledi (foto: National Geographic)
Uma antiga espécie do gênero humano desconhecida até agora foi descoberta em uma caverna da África do Sul, onde foram exumados os ossos de 15 hominídeos, anunciou nesta quinta-feira uma equipe internacional cientistas. A nova espécia foi batizada de 'Homo Naledi' e classificada dentro do gênero Homo, ao qual pertence o homem moderno. O Museu de História Natural de Londres classificou a descoberta de "extraordinário".

Os fósseis foram encontrados em uma caverna profunda de difícil acesso, perto de Johannesburgo, na área arqueológica conhecida como "Berço da Humanidade", que é considerada patrimônio mundial pela Unesco. "Estou feliz de apresentar uma nova espécie do ancestral humano", declarou Lee Berger, pesquisador da Universidade Witwatersrand de Johannesburgo, durante uma entrevista coletiva em Moropeng, onde fica o "Berço da Humanidade".


Em 2013 e 2014, os cientistas encontraram mais de 1.550 ossos que pertenceram a, pelo menos, 15 indivíduos, incluindo bebês, adultos jovens e pessoas mais velhas. Todos apresentavam uma morfologia homogênea e pertenciam a uma "nova espécie do gênero humano que era desconhecida até então".

JOHN HAWKS
(foto: JOHN HAWKS )

"Alguns aspectos do Homo Naledi, como suas mãos, seus punhos e seus pés, estão muito próximos aos do homem moderno. Ao mesmo tempo, seu pequeno cérebro e a forma da parte superior de seu corpo são mais próximos aos de um grupo pré-humano chamado australopithecus", explicou o professor Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, autor de um artigo sobre o tema publicado na revista científica eLife.


A descoberta pode permitir uma compreensão melhor sobre a transição, há dois milhões de anos, entre o australopithecus primitivo e o primata do gênero homo, nossa ancestral direto. Esta é a maior mostra de fósseis de hominídeos exumados até hoje na África.

Mas como era o 'Homo naledi'?

"Tinha o cérebro minúsculo do tamanho de uma laranja e um corpo muito esbelto", afirmou John Hawks, pesquisador da Universidade de Wisconsin-Madison e autor de um artigo publicado nesta quinta-feira na revista científica eLife. Tinha altura média de 1,5 metro e pesava 45 quilos.

"Suas mãos permitem supor que tinha a capacidade de manejar utensílios, seus dedos eram muito curvados, ao mesmo tempo em que é praticamente impossível distinguir seus pés dos de um homem moderno", afirma um comunicado conjunto da Universidade de Wits, da National Geographic Society e do ministério sul-africano da Ciência.

"Seus pés e suas longas pernas indicam que estava preparado para caminhar durante muito tempo".

Desafio para os cientistas

Os ossos exumados na África do Sul representam um desafio para os cientistas. Complicam um pouco mais o tabuleiro dos hominídeos, pois a espécie descoberta apresenta características próprias tanto dos hominídeos modernos como dos antigos.

"Alguns aspectos do Homo naledi, como suas mãos, seus punhos e seus pés, estão muito próximos aos do homem moderno. Ao mesmo tempo, seu pequeno cérebro e a forma da parte superior de seu corpo são mais próximos aos de um grupo pré-humano chamado australopithecus", explicou o professor Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres.

A descoberta pode permitir uma compreensão melhor sobre a transição, há dois milhões de anos, entre o australopithecus primitivo e o primata do gênero homo, nosso ancestral direto.

"A mistura de características do Homo naledi destaca mais uma vez a complexidade da árvore genealógica humana e a necessidade de realizar pesquisas mais exaustivas para compreender a história e as origens de nossas espécies", disse Chris Stringer.

Os cientistas também se questionam sobre as razões pelas quais os ossos estavam nesta área de difícil acesso, na entrada de uma caverna já conhecida. O túnel para chegar ao local é tão empinado e estreito que apenas os pesquisadores de menor altura conseguiram chegar ao ponto da descoberta.

A área "sempre esteve isolada das outras e nunca esteve em contato com a superfície", afirma o comunicado.

"Imaginamos vários cenários, incluindo a possibilidade de ataque de um carnívoro desconhecido, uma morte acidental ou uma armadilha", disse Lee Berger.

"Chegamos à conclusão de que o cenário mais plausível é que os corpos foram levados voluntariamente para o local. Uma prática que atesta um comportamento surpreendentemente complexo para uma espécie humana 'primitiva'", explicou o professor Stringer.

Há vários anos, o "Berço da Humanidade", uma área com cavernas e fósseis de pré-humanos e uma verdadeira mina de informações sobre nossos ancestrais, é um tesouro para arqueólogos e paleontologistas.

Lee Berger é taxativo: a área onde foi encontrado o Homo naledi "ainda não revelou todos os seus segredos, pois ainda podem existir centenas, inclusive milhares, de fósseis de Homo naledi para exumar". 

 

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