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Estado de Minas PLANETA ANÃO

Missão da Nasa fornece dados sobre Plutão que intrigam cientistas

Expectativa é de que, em setembro, eles conheçam a fundo a composição e o clima do planeta


postado em 26/07/2015 00:12 / atualizado em 26/07/2015 12:53

Foto colorida mostra diferentes composições e texturas do planeta anão: destaque para a grande planície em branco, chamada de coração(foto: AFP PHOTO HANDOUT-NASA/JHUAPL/SWRI)
Foto colorida mostra diferentes composições e texturas do planeta anão: destaque para a grande planície em branco, chamada de coração (foto: AFP PHOTO HANDOUT-NASA/JHUAPL/SWRI)
Brasília – Os primeiros dias de observação da missão New Horizons revelaram um lado desconhecido de Plutão, marcado por fenômenos ainda não compreendidos pelos pesquisadores. As imagens capturadas desde que a sonda da Nasa chegou ao planeta anão, no dia 14, mostram traços de geleiras que deslizam sobre a superfície do objeto congelado, de grandes planícies formadas por materiais ainda não identificados e de uma misteriosa névoa que dá ao planeta gelado a sua cor avermelhada. As descobertas são frutos de uma missão pioneira que se estende por nove anos, tempo necessário para que a sonda percorresse mais de 5 bilhões de quilômetros e alcançasse o objeto distante.

Os novos dados foram divulgados sexta-feira pela agência espacial norte-americana, a Nasa, que, por enquanto, só tem acesso a 5% de todas as imagens e as informações científicas colhidas pela espaçonave nessa missão. “A cada dia os cientistas têm recebido novos dados, e eles estão sempre sendo surpreendidos”, afirmou Jim Green, diretor de Ciência Planetária da agência. A Nasa espera novos resultados de experimentos e medições para setembro, quando os cientistas devem ser capazes de calcular com precisão a composição, o clima e outras características do planeta anão. A missão está programada para se estender até o fim do próximo ano.

Por enquanto, as novidades parecem levantar mais perguntas do que respostas. Uma das maiores surpresas surgiu apenas sete horas após a maior aproximação da sonda, quando um instrumento capturou uma imagem inédita da atmosfera de Plutão. A fotografia divulgada na sexta-feira pela Nasa mostra um halo brilhante perfeito, produzido pela luz do Sol que contrasta com a cor negra do espaço. Nessa imagem histórica, os pesquisadores puderam detectar sinais do que eles acreditam ser um tipo de névoa pairando sobre o planeta. O material pôde ser detectado a uma distância de até 130 quilômetros acima da superfície, mas está tão disperso no ar que provavelmente não seria visível para uma pessoa que estivesse de pé em Plutão.

Os pesquisadores ainda não sabem do que é feita a névoa misteriosa, mas eles acreditam que ela seja a origem da cor avermelhada do objeto, visível nas fotos coloridas produzidas pela sonda. O material parece se dividir em duas camadas, e a principal teoria é de que a luz ultravioleta do Sol quebre as partículas de metano presentes no ar, o que leva à formação de gases mais complexos, como etileno e acetileno, que já foram detectados pela missão espacial. Acredita-se que as substâncias se condensem em partículas de gelo, dando origem ao fenômeno. Até então, os cientistas achavam que as temperaturas seriam muito altas para a formação de uma névoa a distâncias tão grandes do planeta.

De acordo com os pesquisadores responsáveis pela missão, o exame aproximado de Plutão deve mudar a forma como os cientistas compreendem a atmosfera e o clima do planeta anão. “Por 25 anos sabemos que ele tem uma atmosfera, mas, até então, isso era baseado em números. Essa foi a primeira imagem, a primeira vez que vimos essa imagem, que quase trouxe às lágrimas os cientistas”, descreveu Michael Summers, um dos pesquisadores da missão na George Mason University.

A surpresa também foi grande quando os cientistas examinaram de perto Charon, a maior das luas plutonianas. Os dados da New Horizons mostram que ela praticamente não tem atmosfera, o que indica a existência de diferenças fundamentais entre os dois objetos. Acredita-se que Charon seja resultado de um choque com Plutão ocorrido há muito tempo, mas ainda não se sabe em que condições isso aconteceu e como o pequeno planeta foi capaz de assumir um formato esférico quase perfeito depois do incidente. “Plutão tem uma história muito complicada para contar, é uma história muito interessante, temos muito trabalho a fazer para entender esse lugar”, ressaltou Alan Stern, principal pesquisador da missão no Southwest Research Institute (SwRI).
Cordilheira recém-descoberta à margem sudeste de Plutão, em foto divulgada pela Nasa(foto: AFP PHOTO HANDOUT-NASA/JHUAPL/SWRI)
Cordilheira recém-descoberta à margem sudeste de Plutão, em foto divulgada pela Nasa (foto: AFP PHOTO HANDOUT-NASA/JHUAPL/SWRI)
Geleiras A sonda flagrou ainda o que parecem ser traços de grandes massas de gelo que se arrastam pela superfície do objeto, assim como acontece com as geleiras da Terra. As fotos foram tiradas a partir de uma planície batizada de Sputnik Planum, localizada num tipo de reservatório chamado Tombaugh Regio, também chamado de o “coração de Plutão”. Os sinais indicam que o planeta tenha sofrido atividades geológicas recentes e que possa, inclusive, esconder uma camada líquida entre a sua casca de gelo e o núcleo rochoso.

Como o gelo do planeta é formado por elementos altamente sensíveis a mudanças de temperatura (dados indicam que o local é rico em nitrogênio, monóxido de carbono e metano), é possível que a pressão do peso do material congelado e o calor interno do planeta anão estejam derretendo as formações sólidas e permitindo que elas deslizem lentamente sobre a superfície.“Não há razão para que isso não esteja acontecendo hoje”, acredita William McKinnon, pesquisador de geologia da New Horizons na Washington University in St. Louis.

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