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Entenda por que Santa Rita do Sapucaí é uma potência tecnológica em Minas

Santa Rita do Sapucaí, no Sul de MG, tem 40 mil habitantes e 153 empresas inovadoras. Ali, união entre academia, indústria e governo é a receita para a fórmula do sucesso


postado em 22/06/2015 13:10 / atualizado em 22/06/2015 13:16

Cidade encrustrada entre montanhas teve incentivo de criar polo de tecnologia nos idos de 1950, assim como o Vale do Silício, nos Estados Unidos (foto: Sindvel/divulgação )
Cidade encrustrada entre montanhas teve incentivo de criar polo de tecnologia nos idos de 1950, assim como o Vale do Silício, nos Estados Unidos (foto: Sindvel/divulgação )

Todo dia, em média, três novas tecnologias de ponta saem do forno de indústrias da pequena Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, prontas para entrar no mercado mundial. Lá, a tranquilidade típica do interior contrasta com o ritmo acelerado das inovações. O município de apenas 40 mil habitantes abriga o Vale da Eletrônica, formado por três instituições de ensino e 153 empresas de setores que vão da informática à telecomunicação. Não por acaso, o lugar é comparado ao Vale do Silício, polo tecnológico na Califórnia, nos Estados Unidos, criado na mesma época, nos anos 1950. Mais de 13 mil produtos são fabricados na cidade mineira, que deixou parte da tradição do café e do leite para se enveredar no universo dos fios, placas e softwares. Desde então, Santa Rita criou filhos ilustres, como a urna eletrônica, o chip do passaporte eletrônico e o transmissor de TV digital nacional, para citar apenas três deles.

Somente no ano passado, o Vale da Eletrônica, situado entre as montanhas que cercam o Rio Sapucaí, faturou R$ 3 bilhões. “Somos o maior polo tecnológico de eletroeletrônica do Brasil e único cluster maduro da área no país”, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto. Significa dizer que Santa Rita do Sapucaí reúne toda a cadeia produtiva, desde a pesquisa, o desenvolvimento até a fabricação do produto.

E o Vale da Eletrônica não para de lançar equipamentos e tecnologias de olho nas demandas do mercado nacional e internacional – a região exporta produtos para 41 países. No mês passado, empresas santa-ritenses apresentaram em São Paulo, na Exposec, maior feira da América Latina do setor de segurança eletrônica e patrimonial, as mais modernas tecnologias do setor desenvolvidas no Sul de Minas. Estão entre elas uma central de alarmes em miniatura com 400 sensores e um filtro de linha que elimina o consumo stand-by de aparelhos eletrônicos e chega a economizar até 15% de energia.
A precursora desse processo de inovação foi a santa-ritense Luzia Rennó Moreira, a Sinhá Moreira. Mulher viajada e à frente de seu tempo, ela fundou no município, em 1959, a Escola Técnica de Eletrônica (ETE), primeira de nível médio da América Latina. Seis anos depois, foi criado o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), primeiro centro de ensino e pesquisa a oferecer curso superior na área de telecomunicação. Para completar, também se estabeleceu na cidade a FAI, centro de ensino superior em gestão, tecnologia e educação.

A formação de estudantes empreendedores, ligados à área de tecnologia e inovação, foi passo decisivo para impulsionar o polo eletroeletrônico em Santa Rita do Sapucaí. Atualmente, o Vale da Eletrônica emprega 14 mil trabalhadores, muitos formados pelas instituições de ensino do município. “A expansão da educação plantou uma semente em Santa Rita que permitiu a transformação da realidade”, afirma o diretor do Inatel, Marcelo de Oliveira Marques, que comemora os 50 anos da instituição.

Roberto Souza Pinto reforça que a primeira empresa da cidade, que atualmente pertence a uma multinacional japonesa, surgiu dentro da escola técnica. “Isso quando nem se falava em incubadora de empresas. Santa Rita é uma fábrica de fábricas”, afirma. “Hoje, Santa Rita é a menina dos olhos do Brasil. Os empresários são técnicos, têm mestrado, doutorado. A empresa tem mercado, produto, gestão”, diz.


O presidente do Sindvel atribui o sucesso da região a uma “tríplice hélice”, formada por academia, indústria e governo. “Esses grandes diferenciais do vale só são possíveis e viáveis por meio dos benefícios oferecidos pelo governo e, caso eles se extirpem, a geração de renda, de emprego e os ganhos serão repassados para outros países que detiverem uma tecnologia parecida e mais competitividade. Se não há incentivo fiscal, não há competitividade”, afirma.

 

 

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