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Estado de Minas

Chimpanzés selvagens têm "queda" por bebidas alcoólicas, revela estudo

Pesquisa é a primeira que destaca o consumo voluntário, repetido e prolongado de etanol por chimpanzés selvagens que vivem na comunidade de Bossou, na Guiné


postado em 10/06/2015 15:37 / atualizado em 10/06/2015 15:56

Grandes macacos africanos e os seres humanos compartilham uma mutação genética que lhes permite metabolizar o álcool(foto: AFP PHOTO/SIA KAMBOU)
Grandes macacos africanos e os seres humanos compartilham uma mutação genética que lhes permite metabolizar o álcool (foto: AFP PHOTO/SIA KAMBOU)

Os chimpanzés selvagens não desprezam álcool. E quando moradores nas proximidades de seu hábitat fazem vinho de palma, eles não hesitam em apreciá-lo, usando folhas mastigadas que atuam como uma esponja, diz um estudo divulgado nesta quarta-feira.

Os grandes macacos africanos e os seres humanos compartilham uma mutação genética que lhes permite metabolizar o álcool efetivamente, destacou a pesquisa publicada na Royal Society Open Science. Já se sabia também que os chimpanzés, por serem frugívoros, podem ser levados a comer frutas podres que caem no chão, cuja fermentação produz etanol (álcool).

Mas esta é a primeira vez que uma pesquisa destaca o consumo voluntário, repetido e prolongado de etanol por chimpanzés selvagens que vivem na comunidade de Bossou, na Guiné (África Ocidental), de acordo com o estudo que abrange o período 1995/2012.


"Isso reforça a ideia de que o último ancestral comum dos atuais grandes macacos africanos e os humanos modernos não tinha aversão ao ingerir alimentos contendo etanol", observa o estudo conduzido por Kimberley Hockings, da Oxford Brookes University (Reino Unido).


Em Bossou, os moradores têm o hábito de coletar a seiva doce da ráfia, um tipo de palmeira, usando a técnica de furar e anexar um recipiente à árvore. Este coletor de plástico é coberto com folhas para proteger o líquido que fermenta rapidamente e vira etanol (álcool).


A seiva fermentada, usada para fazer vinho de palma, é colhida duas vezes por dia pelos aldeões. Para acessar o néctar, os chimpanzés ('Pan troglodytes') usam as folhas como costumam fazer para ingerir líquido. Eles mastigam para produzir uma espécie de esponja. Em seguida, mergulham a ferramenta no líquido antes de colocá-lo na boca.


Ao longo de um período de 17 anos, os pesquisadores observaram 51 situações em que os chimpanzés absorviam a seiva alcoólica. Algumas vezes, os macacos chegavam a repetir o gesto mais de 20 vezes. Treze macacos, jovens e adultos, machos e fêmeas, sorveram o líquido do total de 26 da comunidade (filhotes excluídos). Os menores de três anos não foram observados porque não sabem como fazer a ferramenta.


"Os chimpanzés de Bossou ingerem a bebida muitas vezes em grandes quantidades apesar de um teor alcoólico variando entre 3,1% e 6,9%", o equivalente a uma cerveja, explicou o estudo. Alguns "mostravam sinais de embriaguez".


"Os pesquisadores raramente coletam dados sobre o comportamento dos macacos após a exposição ao etanol, mas alguns bebedores descansaram logo depois de beber", ressaltou o estudo.


A seiva da palma é cheia de vitaminas e minerais. Ela é uma fonte rica de energia, graças ao seu teor de açúcar, que torna seu sabor agradável apesar do etanol.

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