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Estado de Minas E O COMPUTADOR SE TRANSFORMA EM CAMARIM

Espelho virtual simula a prova da maquiagem

Pesquisador da USP cria programa no qual a pessoa pode visualizar o efeito dos produtos de beleza sem aplicar nada de verdade sobre o rosto


postado em 12/04/2015 00:12 / atualizado em 12/04/2015 09:12

(foto: Ilustração/EM)
(foto: Ilustração/EM)
Experimentar uma peça de roupa, fazer um test drive, ligar um eletrodoméstico ainda na loja. Testes são fundamentais para que o consumidor saiba, antes de concluir um negócio, se determinado produto realmente atende suas expectativas. Com cosméticos, no entanto, o processo é um pouco diferente. Ao considerar a compra de uma maquiagem, o cliente até tem a opção de aplicar o produto na própria pele, mas o processo pode ser trabalhoso e com resultados nem sempre positivos. Buscando criar uma solução mais prática para as lojas do ramo, um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu um espelho virtual que simula a prova dos produtos de beleza.


O equipamento consiste em um monitor sensível ao toque conectado a uma câmera Kinect, o mesmo dispositivo usado nos consoles de game Xbox para detectar movimentos dos jogadores. O programa é como um espelho que permite ao indivíduo simular rapidamente o resultado de uma maquiagem. Basta escolher o cosmético e aplicar o produto na tela com o próprio dedo. O usuário pode congelar a imagem gerada pelo sistema para facilitar o processo ou fazer a maquiagem sobre o vídeo como se a pessoa estivesse vendo seu reflexo.

O sistema, criado pelo engenheiro de computação Filipe Morgado Simões, é capaz de mapear os principais pontos do rosto, o que permite que o efeito se mantenha mesmo com a face se mexendo. “Há técnicas de computação com as quais você consegue entender o que está na imagem e fazer alguma coisa em cima dela. A gente consegue rastrear a face, saber onde ela está e determinar os pontos característicos dela. Com essa referência, podemos posicionar a maquiagem na face da pessoa mesmo em movimento”, explica Simões, que desenvolveu o programa durante mestrado na USP.

Além da versão que permite a edição da imagem na hora, há outra que produz uma foto de alta resolução para a criação de simulações ultrarrealistas. O programa cria uma textura colorida sobre o rosto da pessoa, simulando o efeito real do cosmético. A aplicação virtual varia de acordo com a cor e as características da pele do usuário. Pintas, cicatrizes, olheiras e outras marcas permanecem visíveis sob as camadas mais leves de maquiagem, assim como na vida real.

PINCÉIS

Caso o cliente deseje um efeito mais consistente, basta aplicar mais camadas do produto virtual. Isso pode ser feito repetindo-se o processo ou usando um toque prolongado sobre a tela sensível, que responde ao movimento intensificando o efeito visual. Também é possível aplicar mais de um produto em uma mesma região da face, compondo uma sobreposição de texturas que imitam, por exemplo, um corretivo e um blush.

Até agora, é possível simular a aplicação de base, sombra e batom, mas, em breve, Simões espera criar efeitos que imitem cosméticos mais complexos, como rímel e delineador. O desenvolvedor também tem planos para tornar a experiência visual ainda mais realística, com o uso de aplicadores que imitam o efeito dos pincéis. “A parte do algoritmo que simula a maquiagem, tivemos de praticamente inventar. O principal desafio é conseguir um algoritmo que faça esse efeito”, conta o pesquisador.

“O trabalho combina várias áreas do conhecimento. Uma delas é a computação gráfica, que estuda os problemas de sobrepor à imagem os efeitos da maquiagem”, explica Carlos Hitoshi Morimoto, professor do Instituto de Matemática e Estatística da USP e orientador do trabalho. O simulador também reproduz o sombreamento da região do rosto em que o cosmético é aplicado, criando um efeito tridimensional.

Utilidades Filipe Simões começou a desenvolver a ferramenta computadorizada a partir da sugestão de uma fabricante de cosméticos. Substituir os antigos provadores por um sistema virtual representaria uma grande economia de produtos, além de facilitar a vida de compradores e vendedores. A simulação permite que o usuário teste vários tipos de produto sem sujeira, além de combinar e comparar diferentes cores, como desejar.

“Você não precisa de nenhum especialista. Aliás, a concepção é justamente esta: que a gente possa instalar isso em qualquer computador, na casa das pessoas, por exemplo, e elas possam experimentar os produtos de maquiagem sem nem mesmo ir até a loja. Quanto mais próxima da realidade for a simulação, melhor será a sensação do usuário para ter mais confiança”, acredita Carlos Morimoto.

Uma versão mais avançada do programa poderia ser usada inclusive por maquiadores profissionais para planejar um trabalho ou no treinamento de aprendizes. Uma versão comercial do simulador será produzida por uma empresa montada pelo próprio inventor, ainda sem data definida de lançamento. Simões e Morimoto acreditam que o programa tenha potencial para ser adotado pelo mercado, inclusive na forma de aplicativos para smartphones e tablets.

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