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Estado de Minas

Telescópio da Nasa descobre 800 exoplanetas em zonas habitáveis


postado em 19/03/2015 06:00 / atualizado em 19/03/2015 09:00

Brasília – A vida é extremamente rara. Por isso, a pequena possibilidade de haver planetas com condições semelhantes às da Terra faz com que astrônomos varram o Universo em busca de material biológico, especialmente água em estado líquido, elemento essencial para a existência de organismos. Com dados colhidos pelo telescópio Kepler, da Nasa, os astrônomos descobriram, até o momento, 800 exoplanetas localizados na zona habitável de suas estrelas, região com temperatura adequada à vida (veja infografia abaixo). Além disso, outras 3 mil imagens parecem ser de objetos como esses, aguardando confirmação.

Agora, pesquisadores da Universidade Nacional da Austrália e do Instituto Niels Bohr, na Dinamarca, usaram esses dados para realizar uma série de cálculos que ajudam a estimar quantas estrelas da Via Láctea têm planetas em suas zonas habitáveis. O número impressiona: seriam bilhões de astros com um a três corpos orbitando na região propícia a vida — e isso apenas em nossa galáxia.

Para realizar o estudo, os autores utilizaram uma versão adaptada da Lei de Titius-Bode, método formulado nos anos 1770 e que possibilitou estimar a posição de Urano antes de o planeta ser descoberto em 1781 por William Herschel. Segundo essa lei, a relação entre o período orbital de Mercúrio e Vênus é a mesma entre Vênus e a Terra e assim por diante. Assim, sabendo o tempo que um objeto leva para dar uma volta em torno do Sol, é possível calcular a posição do planeta seguinte.

Os cientistas fizeram uma nova versão da lei e a testaram em 151 sistemas planetários descobertos com a ajuda do Kepler. Os dados mostraram haver grande chance de a proporção de Titius-Bode ser válida para 124 deles. “Usando a lei, tentamos prever onde poderia haver mais planetas, e só fizemos os cálculos para aqueles que poderiam ser vistos com o Kepler”, diz , Steffen Kjær Jacobsen , estudante de doutorado do Instituto Niels Bohr. A próxima etapa é tentar confirmar se há mesmo planetas nos pontos determinados pelos cálculos. “Estamos incentivando outros pesquisadores a olharem para eles. Se forem encontrados, há uma indicação de que a teoria se sustenta”, completa Jacobsen. E a teoria se sustentando, seria possível estimar em bilhões o total de planetas em zonas habitáveis da Via Láctea.

Para Fernando Roig, pesquisador do Observatório Nacional, as projeções de Jacobsen e colaboradores fazem sentido. Entretanto, na opinião dele, a Lei de Titius-Bode é questionável. “Na verdade, ela não é uma lei, porque não tem fundamento físico. É, na realidade, uma regra que permite os cientistas ajustarem as coisas para remontar um sistema planetário”, explica.
Para o brasileiro, o trabalho tem valor do ponto de vista estatístico. “O fato é que você não pode afirmar que as previsões que eles fazem de fato estão corretas. O que sabemos é que essa regra funciona para o nosso sistema, mas não dá para dizer que vale também fora daqui”, pondera Roig. “O resultado é interessante, mas questionável. Só o tempo e a descoberta de mais planetas nesses sistemas podem confirmar a teoria”, acrescenta o astrônomo.

 

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