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Estado de Minas

Cientistas estão cada vez mais perto de confirmar restos de Cervantes

Arqueólogos, cientistas e peritos trabalham para tentar elucidar se caixão encontrado em igreja no Centro de Madri guarda os restos mortais do autor de Dom Quixote de La Mancha


postado em 27/01/2015 00:12 / atualizado em 27/01/2015 11:35

Peças corroídas de metal e fragmentos de madeira com as iniciais M.C. podem ajudar a confirmar se ali estavam os restos mortais do escritor (foto: Sociedad de Ciencia Aranzadi/AFP )
Peças corroídas de metal e fragmentos de madeira com as iniciais M.C. podem ajudar a confirmar se ali estavam os restos mortais do escritor (foto: Sociedad de Ciencia Aranzadi/AFP )

Madri – No interior de uma cripta da Igreja das Trinitárias, no coração da capital espanhola, Madri, uma equipe multidisciplinar de cientistas está cada vez mais perto de confirmar ter encontrado os restos mortais do escritor Miguel de Cervantes, autor do clássico Dom Quixote de La Mancha, morto em 1616. Eles centraram as buscas num espaço de 70 metros quadrados dessa cripta. A equipe pede cautela sobre a descoberta das iniciais M.C. em um dos caixões porque os trabalhos de identificação acabaram de começar e avançam lentamente. Foi no sábado, poucas horas depois de começar a fase de perícia da investigação que os técnicos encontraram as iniciais em um nicho da cripta eclesiástica, identificado com o número 1. A arqueóloga Almudena García Rubio, uma das responsáveis pelo projeto, explicou que os antropólogos, todavia, estavam estudando, minuciosamente, o achado: “Tudo o que dissermos agora pode mudar. Por isso, precisamos de cautela.”

O perito forense Francisco Etxeberria assegura que não é possível precisar quanto tempo será necessário para saber se os retos são de Cervantes, pois o material encontrado está muito deteriorado. Os primeiros materiais achados foram fragmentos de um crânio pequeno e costelas, indicando que se trata de restos mortais de um “párvulo”, denominação que se dava a crianças mortas no século 17, batizadas, mas que não haviam feito a primeira comunhão. Em outro local encontraram restos de uma mulher.

Os vestígios estavam dentro de um sepulcro, abaixo do solo, e foram examinados por arqueólogos, peritos e geofísicos. Como as primeiras análises descartaram alguns corpos que não podiam ser do escritor, porque não correspondiam à idade e ao gênero, os cientistas trabalham agora nos outros restos ósseos. “Mas está tudo muito destruído, inclusive os ossos. Misturados a eles estão areia, restos de ladrilhos, o que parece indicar que ali se colocaram restos de outros enterros anteriores”, comentou Etxeberria.

Especialistas em direito funerário assinalam que todo tipo de resto mortal, incluídos os que têm valor histórico e arqueológico, como seria o caso, não pertencem propriamente a ninguém ou podem ser consideradas de propriedade de autoridades estatais espanholas, quando existe uma dimensão cultural e um bem patrimonial envolvidos na questão. Até que se prove por A + B que os restos são mesmo de Cervantes, os cidadãos espanhóis e os turistas deverão se contentar em observar uma lápide colocada em sua sepultura, numa parede do templo, aberta desde sempre ao público.

 

 

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