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Estado de Minas SALA DE AULA DO FUTURO

TV inteligente substitui o datashow e pode transformar a aprendizagem

Equipamento usado pela Universidade Estácio de Sá permite ao professor escrever com o dedo, marcar texto na tela touch de 55 polegadas e acessar vídeos, fotos, planilhas, jogos e aplicativos


postado em 07/08/2014 09:07 / atualizado em 07/08/2014 09:02

Diretora de tecnologia da Estácio de Sá, Lindália Reis, diz que está em busca de parcerias para equipamento (foto: Estácio de Sá/Divulgação )
Diretora de tecnologia da Estácio de Sá, Lindália Reis, diz que está em busca de parcerias para equipamento (foto: Estácio de Sá/Divulgação )

Esqueça giz, lousa e projetor. A sala de aula do futuro, mais do presente que nunca, contém recursos tecnológicos que transformam a aprendizagem em um processo dinâmico, colaborativo e interativo. Os dispositivos, que começam a integrar o ambiente escolar, permitem que o professor tenha recursos para enriquecer o conteúdo, enquanto o aluno pode participar mais ativamente das aulas.

O equipamento usado pela Universidade Estácio de Sá é uma TV inteligente, que substitui o ultrapassado datashow, sem ter o custo alto da lousa digital. “Era uma solução tão simples que ninguém pensou antes. Fomos ouvindo alunos e professores até chegar ao que era necessário: algo dinâmico e viável”, comenta a engenheira de produção Lindália Reis, diretora de tecnologia da universidade. A televisão tem sua função original mantida, mas basta ser ligada ao sistema desenvolvido pelos pesquisadores para se conectar à internet e a um mundo de possibilidades de uso. O primeiro protótipo ficou pronto há um ano e seis unidades produzidas em laboratório estão sendo testadas no Rio de Janeiro.

A ideia é que o uso seja intuitivo. Com o dedo, o professor está pronto para escrever e marcar texto na tela touch, de 55 polegadas. Ainda é possível acessar vídeos, fotos, planilhas, jogos, aplicativos e outros recursos no tablet gigante, que também é equipado com teclado. Na próxima fase do projeto, que deve ser concluída até o fim do ano, o sistema da TV inteligente reconhecerá dispositivos móveis dos alunos, como tablet, smartphone e notebook, permitindo que eles compartilhem conteúdo em tempo real. “As TVs vão se comunicar automaticamente, a ponto de o professor buscar a prova no nosso banco de dados, cada aluno responder no seu próprio equipamento e o resultado ir direto para a tela em tempo real”, acrescenta Lindália.

Escala industrial

A partir do ano que vem, a TV inteligente poderá ser produzida em escala industrial. A diretora de tecnologia da Universidade Estácio de Sá adianta que está em busca de parcerias com montadoras. A expectativa é levar o equipamento para as 4 mil salas de aula da instituição em todo o Brasil, mas Lindália destaca que a solução atende todo o mercado de educação. “Cada vez mais as salas de aula devem ser um ambiente para aprender fazendo”, destaca. A TV inteligente custa R$ 5 mil, valor equivalente a um notebook mais um datashow.

Na visão do gerente de desenvolvimento de negócios para educação da Intel, Edmilson Paoletti, a tendência da sala de aula do futuro é oferecer um ambiente tecnológico completo. “Acreditamos que só vai haver transformação no processo de aprendizagem quando o professor absorver o uso da tecnologia desde o planejamento das aulas, e os alunos passarem a interagir com seus equipamentos pessoais dentro de sala de aula”, pontua. Paoletti destaca que o tipo de tecnologia deve ser definido de acordo com a necessidade de cada caso, mas a implantação sempre vai depender de haver conectividade.

A aposta são equipamentos híbridos, que podem ser usados como tablet ou netbook. Pernambuco é um dos estados brasileiros onde estudantes do ensino médio da rede pública utilizam o Intel Classmate PC conversível, tanto em casa quanto em sala de aula. A iniciativa de integrar a tecnologia ao ambiente escolar é da Secretaria de Estado da Educação, por meio do projeto Aluno conectado. Segundo Paoletti, híbridos mais avançados, que ainda não chegaram ao Brasil, vão permitir destacar a tela, aumentando as possibilidades de uso. “A tendência é adotar a versão digital dos livros, que vai além de ter simplesmente o conteúdo digitalizado. Os alunos poderão interagir com a obra”, diz. A tecnologia facilita também o desenvolvimento de projetos multidisciplinares e trabalhos em equipe.

Para se aproximar dos futuros alunos, o centro de ensino IBMEC/MG começa, no mês que vem, a oferecer atendimento aos vestibulandos pelo WhatsApp. “A ideia era criar uma experiência diferente para os usuários, muito mais rica que a de call center. Eles são de uma geração que nem usa celular para fazer ligação. Gostam da praticidade, agilidade e instantaneidade”, comenta a coordenadora acadêmica do curso de marketing digital, Grazielle Mendes Rangel. O atendimento é voltado para quem ainda não decidiu qual profissão seguir e quer conhecer instituição.

Batizado de “Liga dos veteranos”, o serviço pretende assumir o mesmo papel dos alunos mais antigos dentro da universidade, apoiando os calouros. “Temos que entender que a dinâmica é outra, não dá para levar os processos do call center para o WhatsApp.

 

Depoimentos

 

Solange Ferreira de Moura,
professora de direito, 51 anos


 “A TV inteligente substitui, com muitas vantagens, qualquer outro equipamento multimídia em sala de aula. Além de ser touch, formato com o qual estamos cada vez mais familiarizados, ela permite abrir links no meio de uma apresentação de Power Point e ainda oferece movimento para as imagens – podemos mostrar detalhes nas imagens com zoom ou em diferentes ângulos. A usabilidade é simples, igual à de um tablet. Podemos agora usar um julgamento proferido quase instantaneamente e grifar artigos jurídicos ali na hora, escrever em cima de documentos com o dedo para apontar detalhes. Os alunos hoje são muito visuais. Precisamos destes recursos para chamar a atenção deles.”

Felipe Tavares,
estudante de administração, 28 anos


 “Em uma aula na sala multimídia, vi que a professora ligou uma TV que funcionava como se fosse um tablet. Quando ela tocava na tela mudava de imagens, de slides, mostrava vídeos e até podia escrever. Achei a tecnologia muito legal! Acho que ela tem potencial para mudar o modo de dar a aula. Para o curso de administração, acho que o maior ganho vai ser nas apresentações de trabalho, pois dá para ver melhor e sem aqueles problemas com cor.”

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