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Estado de Minas

Carros sem motorista podem estar em circulação daqui 20 anos

Entre os obstáculos para a adoção dos veículos estão a responsabilidade legal, os fatores políticos e a aceitação do consumidor


postado em 05/08/2014 09:20 / atualizado em 05/08/2014 09:20

Veículo montado para testes do Laboratório VisLab, da Univesidade de Parma: investimentos pesados para desenvolver um carro inteligente(foto: IEEE/DIVULGAÇÃO)
Veículo montado para testes do Laboratório VisLab, da Univesidade de Parma: investimentos pesados para desenvolver um carro inteligente (foto: IEEE/DIVULGAÇÃO)
 

Imagine entrar em seu carro, dar alguns comandos por voz, encostar-se confortavelmente na poltrona para acompanhar as notícias pelo dispositivo do momento e simplesmente esperar para ser conduzido, sem o estresse de driblar os perigos até chegar ao destino. Num futuro não tão longe, isso será uma realidade: os carros produzidos em série sairão das fábricas sem volante, pedais de acelerador e freio, buzinas, espelhos retrovisores, e com uma série de recursos tecnológicos embarcados – dirigir será o menor dos problemas do trânsito.

Pesquisa realizada pelo Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE, sigla em inglês), divulgada durante o Simpósio sobre Veículos Inteligentes da IEEE, em Dearborn (EUA), de 8 a 11 de junho, revelou que os carros sem condutor entram em circulação em breve. Entretanto, os mais de 200 pesquisadores, entre acadêmicos, praticantes, membros de sociedades e agências governamentais da área de veículos autônomos, que participaram da pesquisa ainda discutem as dificuldades para o uso em massa, as tecnologias autônomas essenciais e necessárias, as características do carro do futuro e a adoção geográfica.

Entre os seis obstáculos relevantes para a adoção em série dos veículos sem condutores, os pesquisadores indicaram a responsabilidade legal, os fatores políticos e a aceitação do consumidor – como os principais –, seguidos de problemas de infraestrutura, custos e desenvolvimento de tecnologias. “Sempre que uma tecnologia pode causar mudanças fundamentais na rotina diária das pessoas, é necessário estabelecer leis e políticas que assegurem sua correta utilização e real benefício. E isso é especialmente verdadeiro quando se fala em veículos inteligentes, para Yaobin Chen, membro sênior do IEEE, professor e presidente da área de engenharia elétrica e informática da Purdue School of Engineering and Technology (Indianapolis – EUA). “Uma vez que os elementos fundamentais, como responsabilidade legal e política, estejam definidos, a tecnologia e a infraestrutura estarão presentes e os veículos inteligentes serão mais amplamente aceitos”, completa.

O professor de engenharia e informática da Universidade de Parma Alberto Broggi, também membro do IEEE, enxerga grande potencial de crescimento desta indústria, Broggi é também fundador do Laboratório de Visão Artificial e Sistemas Inteligentes da Universidade de Parma (VisLab), que tem investido intensamente em pesquisas para o desenvolvimento de veículos inteligentes. Em um de seus últimos projetos, o VisLab testou um automóvel sem motorista, viajando por mais de 13 mil quilômetros, da Itália até a China, para comprovar a eficiência de novas tecnologias de pilotos automáticos.

Modelo testado pelo Google consegue reconhecer pedestres, sinais e ciclistas(foto: GOOGLE/DIVULGAÇÃO)
Modelo testado pelo Google consegue reconhecer pedestres, sinais e ciclistas (foto: GOOGLE/DIVULGAÇÃO)
Autônomos

De acordo com os especialistas do IEEE, à medida que novos componentes autônomos vão sendo incorporados aos veículos, alguns equipamentos que são comuns hoje em dia podem deixar de ser fabricados, como espelhos retrovisores, buzinas e freios de emergência. Esta remoção atingiria carros produzidos em massa até o ano 2030. Já a direção e os pedais de acelerador e freios serão excluídos até 2035. Mais de 75% dos pesquisadores acreditam ainda que os 50 estados dos Estados Unidos aprovariam legislação em favor de o veículos sem condutor, dentro desse período, o que poderia se repetir em outros países.

Entre os avanços tecnológicos que influenciarão no desenvolvimento contínuo de veículos sem condutor, pesquisadore apontam a tecnologia de sensores, seguida do desenvolvimento de softwares específicos, sistemas avançados de assistência ao condutor e de GPS superprecisos. “Um veículo sem condutor precisa de um constante fluxo de informações sobre a estrada e seus arredores para que possa tomar decisões calculadas, chamadas de percepção. Os sensores são uma das mais importantes e confiáveis tecnologias para o avanço de situações de percepção,” afirma Christoph Stiller, professor do Karlsruhe Institute of Technology, na Alemanha. Ele acrescenta que os sensores são pequenos, não invasivos e fornecem dados confiáveis, além de que a tecnologia deles é relativamente barata e será de grande importância na criação de veículos sem condutor de baixo custo.

Ao lado dos sensores, de acordo com os pesquisadores, um mapa digital do mundo, que servirá então de base para a movimentação sem riscos de veículos inteligentes, já deverá estar disponível nos próximos 15 anos. Para eles, os veículos autônomos serão um benefício em qualquer lugar, mas a América do Norte será de imediata a maior beneficiária dessa evolução, seguida pela Europa e pela Ásia.

O Baidu, desenvolvido na China, não dispensa o motorista(foto: BAIDU/DIVULGAÇÃO)
O Baidu, desenvolvido na China, não dispensa o motorista (foto: BAIDU/DIVULGAÇÃO)
Novos carros do futuro
O Google comprova mesmo ser um empresa de vanguarda e investe já há algum tempo em um carro inteligente. Recentemente, a empresa anunciou várias novidades sobre o seu projeto, revelando que depois de ajustes e de muitos testes, seu veículo já é capaz de reconhecer pedestres, sinais e ciclistas. O modelo foi testado na Califórnia (EUA) e mostrou os primeiros resultados práticos nas ruas americanas. O carro inteligente criado pela Google é, na verdade, um veículo equipado com piloto automático, mas ele não anda sozinho como os carros do futuro sugerem. Os testes são sempre acompanhados por um motorista que fica entre o banco e o volante para fazer controles e evitar possíveis problemas no percurso. A empresa lançou um vídeo no YouTube, no qual explica o conceito do projeto e procura dar um retorno aos desenvolvedores sobre como o veículo se comporta no mundo real. Para ver o vídeo acesse https://www.youtube.com/watch?v=KijM9-RapvI.

Projeto chinês
A Baidu, empresa popularmente chamada de o Google chinês, revelou há poucos dias que também está investindo em carros inteligentes e que planeja lançar seu modelo em 2015. Seu projeto, entretanto, difere bem do modelo criado pela gigante norte-americana, pois a ideia é desenvolver um veículo que seja inteligente diante do trânsito com um assistente que colete dados locais. O automóvel poderia ajudar o motorista e assumir o controle do carro em alguns momentos, mas não seria 100% automático. Para a empresa, o modelo não substituiria o piloto – como ocorre com o carro da Google, que vem sendo projetado para não ter volante, pedais e freio e tiraria do motorista a responsabilidade de conduzir o veículo.

 

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