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Estado de Minas FÓSSIL INÉDITO

Esqueleto de crocodilo de 90 milhões de anos encontrado por pesquisadores em Minas

Com crânio medindo cerca de 30 centímetros, descoberta aponta para uma nova espécie e um novo sítio arqueológico


postado em 02/08/2014 07:00 / atualizado em 04/08/2014 12:57

Cabeça encontrada tinha dentição altamente especializada para hábitos carnívoros(foto: L.ADOLFO/DIVULGAÇÃO)
Cabeça encontrada tinha dentição altamente especializada para hábitos carnívoros (foto: L.ADOLFO/DIVULGAÇÃO)

Foi descoberto na região de Iturama e Campina Verde, no Triângulo Mineiro, o maior crocodilo fóssil em Minas Gerais do período cretáceo. Pesquisadores do Complexo Cultural e Científico de Peirópolis (CCCP), da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e do Museu de Paleontologia de Monte Alto (SP) acreditam se tratar de uma nova espécie da família do Crocodiliforme baurusuquideo  – de hábito carnívoro, terrestre, mas que viveu em ambientes de rios e lagos há cerca de 90 milhões de anos. O crânio, de aproximadamente 30 centímetros, é um indicativo de que o animal media em torno de quatro metros.

O crocodilo, que tem crânio praticamente completo, além de vários elementos ósseos restantes de um crocodilomorfo, foi descoberto durante as expedições feitas entre 21 e 27 do mês passado. A equipe é composta por 10 pesquisadores, entre geólogos, paleontólogos e escavadores. O local da descoberta é distante 50 quilômetros do ponto onde foi encontrada outra espécie, a Campinasuchus dinizi, em 2010, e está sendo considerado um novo sítio arqueológico. O próximo passo é a retirada do crânio da rocha para identificação dos dados morfológicos e anatômicos para fazer comparação com os oito gêneros de baurusuquídeos.

Apenas depois de finalizada essa parte será possível ter certeza se o fóssil é ou não de uma nova espécie. Além do Campinasuchus, anteriormente também foi encontrado na região, por uma equipe da Universidade de São Paulo (USP), o Pissarrachampsa. “Pela robustez do crânio e o tamanho do fêmur, comparando ao mais próximo a ele, que é o Campinasuchus, esse é muito maior. O crocodilo descoberto anteriormente não passava de 2,5 metros de comprimento. Há algumas feições no topo do crânio que parecem distintas desses dois grupos”, afirma o geólogo da equipe e professor da UFTM Luiz Carlos Ribeiro.

Para o professor, esse é mais um elemento para reconstruir as formas de vida que estiveram num passado distante na região do Triângulo. Apenas a cidade de Uberaba registrou 17 espécies novas de animais pré-históricos no mundo, entre elas, o maior dinossauro do Brasil, o Uberabatitan ribeiroi, que passa dos 20 metros de altura e é considerado o maior bicho das terras brasileiras em 4,5 bilhões de anos.

O fóssil foi levado para o laboratório do complexo cultural e passará pela fase de preparação, que é a retirada do crânio. Depois dos estudos, ele será reinserido ao bloco de rocha. Se concluirem que se trata de nova espécie, será feito artigo científico para ser submetido à revista e publicado. Só a partir de então, haverá a reconstrução das réplicas do esqueleto para mostra pública no Museu dos Dinossauros do CCCP, o que deverá ocorrer daqui a dois anos.

EXPANSÃO

Luiz Carlos Ribeiro destaca que, à medida que Uberaba estende suas escavações para fora de seus limites geográficos, mais descobertas são feitas. “Isso mostra que Minas, no período compreendido entre 90 milhões e 65 milhões de anos, no cretáceo, tinha fauna diversificada, que envolveu crocodilos terrestres e alguns aquáticos”, relata. Viveram na região, ainda, conforme as pesquisas, vários grupos de dinossauros de grande porte, tanto herbívoros quanto carnívoros e bichos de menor porte, como peixes, rãs únicas no mundo e lagartos.

O pesquisador atribui os resultados ao trabalho sistemático de escavações feito pela UFTM nos últimos 23 anos. “Minas teve diversidade biótica enorme no passado biológico e temos que preservar esse patrimônio cultural paleontológico, pois não há legislações muito efetivas para isso”, ressalta. A universidade vai trabalhar agora junto do Ministério Público Estadual para desenvolver uma política pública de preservação desses sítios paleontológicos.

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