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Estado de Minas

Pesquisa revela que gengibre amargo combate a acne em adolescentes

Depois de 15 anos de estudos, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia comprova que rizoma da planta tem um óleo com potente ação antibactericida, antioxidante e cicatrizante


postado em 20/07/2014 00:12 / atualizado em 20/07/2014 11:26

Raiz do gengibre e embalagens dos produtos que vão chegar ao mercado ainda este ano(foto: Daniel Jordano/Divulgação)
Raiz do gengibre e embalagens dos produtos que vão chegar ao mercado ainda este ano (foto: Daniel Jordano/Divulgação)
Usado apenas para decoração de interiores, em razão da sua exótica flor em formato de bastão, o Zingiber zerumbet, popularmente conhecido como gengibre amargo, agora pode significar um importante recurso no combate à acne vulgar, que atinge cerca de 90% dos adolescentes no país. Até outubro, vai estar à disposição no mercado brasileiro um sabonete produzido a partir de óleo essencial do rizoma da planta, que tem eficácia confirmada, em pesquisa que se estendeu por mais de 15 anos, como antibactericida, vasodilatador, antioxidante e cicatrizante. Estudos japoneses demonstraram ainda que o gengibre amargo, que está espalhado em quase toda floricultura e interior do estado do Amazonas, detém componente ativo com potente atividade citotóxica.

E não fica só nisso. O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) doutor em biotecnologia e recursos naturais Carlos Cleomir diz que as propriedades do gengibre amargo, para a produção do sabonete, foram descobertas a partir de pesquisa para cura do câncer, doença contra a qual se mostrou eficiente, como no caso dos de pele, fígado e cólon. “Além do sabonete, estamos desenvolvendo vários outros produtos que vão desde alimentos – iogurtes e geleias – até cosméticos. Várias espécies têm substâncias importantes”, afirma Cleomir.

O sabonete do gengibre amargo, de acordo com o pesquisador, já está em fase final de testes com voluntários para que se verifiquem cor e odor e, em seguida, ocorrerá sua validação. Cerca de 20 adolescentes usam o produto, que tem entre 50 e 60 gramas, durante um mês. O sabonete é aplicado duas vezes por dia e, em razão da falta de toxicidade, deve permanecer na pele por três minutos. Depois, explica Cleomir, é só retirá-lo com água. O pesquisador diz que o primeiro produto genuinamente amazônico vai chegar ao mercado com preço que deve variar entre R$ 15 e R$ 20, garantindo um tratamento de baixo custo para a população.

MEDICINA ASIÁTICA

Cleomir acrescenta que a medicina tradicional asiática já usava o gengibre amargo – que tem composição química, sabor e odor distintos do tradicional gengibre usado na culinária – para tratamentos antiespasmódicos, ou seja, uma droga com capacidade de suprimir a contração do tecido muscular liso, especialmente em órgãos tubulares, para prevenir a ocorrência de espasmos no estômago, intestino, útero ou bexiga. A planta é originária da Ásia Tropical e sempre foi muito usada como condimento, assim como na medicina. No Amazonas, o gengibre amargo foi encontrado pelo pesquisador e sua equipe em visitas técnicas e excursões realizadas em Iranduba, Parintins, Itacoatiara e Presidente Figueiredo, municípios amazonenses que têm grande quantidade da planta. Em Manaus, o gengibre amargo foi localizada em áreas rurais como Tarumã Mirim e Puraquequara.

Para a produção do sabonete, uma das principais substâncias da planta retiradas do rizoma – onde fica armazenada a seiva bruta – é a zerumbona, com grau de pureza no composto bruto entre 97% e 99%. Ela também é peça-chave para o combate às células cancerosas. De acordo com o pesquisador, não apenas o rizoma é utilizado nas pesquisas. “É possível fazer uso da planta inteira, inclusive as folhas”, garante.

Parceiros Segundo Cleomir, o cultivo da planta é de fácil manejo e a produtividade é alta, podendo chegar a até 30 toneladas por hectare. “Para garantir matéria-prima para a manufatura dos produtos à base de gengibre amargo, estamos desenvolvendo um trabalho para incentivo do plantio, com fornecimento de mudas e garantia da compra da produção dos agricultores parceiros. Um desenvolvimento biossustentável”, explica.

De acordo com o pesquisador, não há previsão para lançamento dos demais produtos em razão da falta de investidores. Para desenvolver o sabonete, o produto foi patenteado pela empresa Biozer da Amazônia, que tem o pesquisador como proprietário e é uma das sete empresas incubadas pelo Inpa. Além disso, recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). De acordo com o Inpa, outros seis produtos estão com registro de patentes depositados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), desde 2013.


SAIBA MAIS

Alteração hormonal

A acne vulgar, de acordo com a dermatologista Cristiana Marzagão, é uma doença de pele, que pode aparecer em diferentes graus, provocada por vários fatores, entre eles a predisposição genética. Além disso, ela depende da presença de hormônios sexuais, que começam a surgir na puberdade, e, em consequência, é mais frequente entre adolescentes, podendo persistir na fase adulta. A alteração hormonal produz um aumento da secreção sebácea, e um estreitamento ou uma obstrução na abertura do folículo pilocebáceo vai gerar a formação de cravos – uma etapa inicial da espinha – , que, somados à proliferação de bactérias, produzem a inflamação da pele. Além da face, a doença pode surgir ainda no tronco, ou seja, em áreas mais ricas em glândulas sebáceas. “Para tratar a acne, é preciso atacar todos os fatores causadores do problema”, diz a dermatologista. Segundo Cristiana, a principal bateria causadora da espinha é a Propioniobacterium acnes e o tratamento precisa atacar as diferentes causas, ou seja, a bactéria, a inflamação, a obstrução do folículo e reduzir a secreção sebácea. Para isso, é necessário associar sabonetes, cremes e até mesmo medicamentos via oral, como antibióticos e os de controle hormonal.

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