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USP cria acervo digital em 3D das obras de Aleijadinho

Trabalho coordenado pela USP produz site com imagens tridimensionais e em alta resolução de obras do mestre barroco


postado em 02/05/2014 10:10 / atualizado em 02/05/2014 10:28

Roberta Machado

Os profetas, expostos no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, são algumas das obras que podem ser vistas em detalhes no site (foto: Carlos Altman/Estado de Minas - 12/04/2000 )
Os profetas, expostos no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, são algumas das obras que podem ser vistas em detalhes no site (foto: Carlos Altman/Estado de Minas - 12/04/2000 )
Brasília – O bicentenário da morte de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, inspirou uma equipe de brasileiros a criar um acervo digital do mestre barroco. O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC/USP), em São Carlos, digitalizou algumas das mais importantes obras do escultor e reuniu o trabalho em um site que funciona como uma verdadeira galeria virtual. Na página, qualquer um pode ter acesso gratuito a uma reprodução 3D dos adornos feitos pelo artista e interagir com elas de uma forma que seria impossível em um museu de verdade.

A equipe selecionou obras que estão à disposição da população ao ar livre. Como essas peças estão sujeitas à ação do tempo de forma mais acelerada que as esculturas de coleções particulares, o registro detalhado ajuda a preservar a aparência original dos trabalhos. Os pesquisadores foram a duas cidades mineiras e colheram as imagens no Adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, e em três igrejas de Outro Preto: a da Ordem Terceira de São Francisco de Assis, a da Nossa Senhora do Carmo, e a de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia.

A missão artístico-tecnológica teve início em junho do ano passado. Armados de um escâner tridimensional de alta precisão, os especialistas foram capazes de digitalizar estátuas e adornos dos templos sem removê-los do lugar nem isolar a área de trabalho. O serviço foi feito assim mesmo, em meio aos turistas, que também estavam interessados em fotografar as obras e procuravam vê-las de perto. “A luminosidade era um problema porque o céu nublado, com sol ou escurecendo, resultava em muitas variações no escaneamento. Tivemos de repetir muita das fotos”, lembra o coordenador do projeto e professor do ICMC, José Fernando Rodrigues Júnior.

O equipamento de última geração foi colocado em frente às obras, de onde emitia um laser que varria toda a área em volta (veja infografia acima). Cada saliência e cada curva das peças barrocas foram traduzidas em uma nuvem de pontos que servia como um enorme mapa volumétrico. “Para adquirir toda a informação, é necessário instalar a máquina em posições diferentes”, explica Rômulo Assis, especialista cedido gratuitamente para esse projeto pela Leica Geosystems, a mesma empresa que também emprestou o escâner de alta resolução. “Para uma estátua, umas três posições são o suficiente”, estima Assis.