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Estado de Minas JEITO LEGAL DE LAVAR DINHEIRO

Nova técnica remove sujeira e amplia vida útil do dinheiro

Novo procedimento consegue remover a sujeira de cédulas com um processo à base de dióxido de carbono. Ideia é aumentar a vida útil da notas


postado em 06/04/2014 14:01 / atualizado em 06/04/2014 14:04

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Brasília –
Notas de dinhero passam de mão em mão, caem no chão, são pisoteadas… Com o tempo, ficam tão encardidas pelo uso que são consideradas impróprias para circulação. O jeito é imprimir outras cédulas para substituí-las, uma operação que representa gastos de bilhões de dólares todos os anos no mundo. Uma técnica apresentada recentemente na revista especializada Industrial and Engineering Chemistry Research aponta uma alternativa à dispendiosa substituição: lavar o dinheiro.


Os pesquisadores responsáveis pela técnica, da Universidade de Brown (EUA), não propõem nenhuma operação ilegal. Eles encontraram uma forma de realmente remover a sujeira das notas, tornando-as novinhas em folha. Nos testes realizados pela equipe, as cédulas foram submetidas a uma lavagem de dióxido de carbono (CO2) alterado até o estado supercrítico. “Quando comprimido e colocado em uma determinada temperatura, o CO2 adquire as propriedades tanto de líquido quando de gás”, explica Jairton Dupont, professor de química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que não participou do estudo.


O gás supercrítico se mostrou capaz de penetrar nos poros do papel e remover a mistura de gordura e óleo que os cientistas usaram para sujar as notas. De acordo com o principal autor do estudo, Nabil Lawandy, o processo químico não danifica as medidas de segurança presentes nas cédulas. “A maioria dos agentes de limpeza convencionais possuem propriedades oxidantes, mas não é o caso do CO2. Ele elimina as gorduras e outros óleos de forma eficaz e preserva recursos como tintas fosforescentes e hologramas”, diz. Dupont acrescenta que esse resultado se deve às características do dióxido de carbono supercrítico. “Ele é um solvente apolar, ou seja, remove basicamente qualquer forma de gordura, mas não vai remover os componentes que compõem a cédula em si. O processo segue a mesma linha de raciocínio de quando se remove esmalte das unhas com acetona”, completa.


Lawandy acredita que a nova tecnologia pode ajudar os bancos centrais de todo o mundo a economizar muito dinheiro. Segundo ele, estima-se que os países gastem cerca de US$ 10 bilhões anualmente para emitir aproximadamente 150 bilhões de novas notas. Além disso, o estudo ressalta que bancos centrais também têm de lidar com o desafio ambiental de descartar toneladas de papel constantemente.


O pesquisador garante que, a menos que as cédulas estejam rasgadas ou com danos físicos, sua vida útil pode ser prolongada. “Os testes mostram que o papel não é afetado pelo processo químico, portanto, o procedimento pode ser repetido inúmeras vezes. Com base em dados dos bancos centrais, a expectativa é de que a média de vida útil seja triplicada”, explica. No estudo, foram realizados quatro lavagens com dois tipos de notas: novas e retiradas de circulação.


Exemplos de todos os recursos de segurança, incluindo fios, marcas d’água, tintas UV e fibras, sobreviveram e permaneceram eficazes após a limpeza. Recursos de leitura óptica, como tintas magnéticas também continuaram intactos. Além disso, a limpeza pode ser realizada em grupos de 100 notas, padrão usado por bancos. “Os resultados confirmam que o fluido supercrítico é prático e pode reduzir drasticamente os orçamentos dos bancos centrais, além de reduzir o impacto ambiental causado pelo descarte de notas impróprias para circulação”, ressalta Lawandy. Segundo o pesquisador, o próximo passo será concentrar os esforços para testes com grandes volumes de notas (superiores a 100 mil).

No Brasil De acordo com Ricardo Danziger, assessor do Departamento do Meio Circulante do Banco Central do Brasil, no país, as cédulas recebidas da rede bancária são contadas e verificadas quanto a autenticidade e a condição de retorno à circulação, que inclui não só a limpeza, mas também não ter furos, rasgos e rabiscos. “As que não podem voltar a circular são fragmentadas, compactadas e, posteriormente, descartadas em aterros sanitários compatíveis com o tipo de resíduo resultante da fragmentação de cédulas”, explica. Dados do Banco Central informam que cerca de R$ 500 milhões foram gastos em 2013 para fabricar 2,4 bilhões de cédulas, com o objetivo de repor as que foram retiradas de circulação.


Sobre a eficácia do método em notas de real, Danziger diz que seria necessário atestar a prevenção dos recursos de segurança. “As cédulas brasileiras utilizam elementos de segurança que são comuns aos de outros países; porém, somente testes poderiam confirmar a eficácia.” O assessor afirma ainda que o Banco Central está sempre interessado em alternativas que possibilitem a melhoria do meio circulante brasileiro e reconhece as vantagens de usar a lavagem em notas. “O estudo mostrou que o uso do dióxido de carbono poderia aumentar a vida útil da notas e reduzir as despesas”, confirma. Ainda assim, ele ressalta que o método exigiria o desenvolvimento de instalações apropriadas e incorporadas à logística dos bancos centrais em todo o mundo.

 

 

Novas em folha

Entenda como os pesquisadores criaram uma a técnica de limpeza de cédulas. 

 

O dióxido de carbono (CO2)
foi submetido a altas
pressões e temperaturas, minuciosamente controladas, até se transformar em um fluido supercrítico, gás que
age como líquido, sendo capaz de dissolver substâncias e atravessar sólidos porosos.

 

Eles, então, usaram uma mistura de óleo de motor, gordura e sebo para sujar algumas notas. O composto simulou a gordura das mãos humanas que costuma impregnar o dinheiro e torná-lo escuro com a oxidação.

 

As cédulas foram colocadas em uma câmara vedada onde o CO2 supercrítico foi inserido. Depois dessa lavagem a seco, a sujeira desapareceu. As notas ficaram claras novamente, e nenhuma marca de segurança foi alterada.

 

A técnica se mostrou capaz de limpar até mesmo as notas reunidas em bolos de 100. Os especialistas estão trabalhando agora em uma técnica que remove também riscos feitos com caneta.

 

US$ 10 bilhões
Valor gasto anualmente por bancos centrais de todo o mundo na reposição de notas velhas. Cerca de metade delas sai de circulação porque estão
muito sujas.

 

 

R$ 500 milhões
Total investido pelo
Banco Central brasileiro em
2013 para repor notas
retiradas de circulação.

 

 

 


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