
Depois de adaptar o seu modelo de negócio, que depende, essencialmente, de anunciantes para lucrar, e reverter os resultados decepcionantes da estreia na Nasdaq, em Nova York, em maio de 2012, a empresa alcançou este ano sua redenção. Em 30 de janeiro, registrou novo recorde histórico, com ações fechando a US$ 62. No lançamento, os analistas que estimavam o preço de fechamento dos papéis em US$ 50, foram surpreendidos pelo valor final: US$ 38,23.
A retomada ocorreu depois dos resultados apresentados pela empresa, que no último trimestre celebrou maior peso da publicidade em dispositivos móveis em seu faturamento (53% dos US$ 2,43 bilhões, contra 23% do faturamento no ano anterior). No primeiro ano na bolsa de valores, os investidores questionaram justamente a capacidade de o Facebook gerar receita com seus usuários, principalmente nos smartphones e tablets.
Rodrigo Assis, especialista em análises de dados e tendências de mercado, que já atuou como desenvolvedor na Bolsa de Valores de Nova York e na Bloomberg, conta que o primeiro formato não era bem visto pelos anunciantes. “Decidiram misturar os anúncios das barras laterais com a rolagem de notícias e a resposta do mercado veio forte ", conta. Para o futuro, o especialista garante que a expectativa é de que o ritmo de crescimento se mantenha justamente pelos investimentos constantes.
Mesmo diante dos esforços do Facebook para manter seus usuários e tornar a ferramenta atrativa, o sócio-diretor da Global Financial Advisor, Miguel Daoud, coloca o futuro do Facebook em cheque. “Nos últimos anos, perderam muito por uma má gestão nas informações no lançamento das ações, mas acabaram restabelecendo sua capacidade de geração de receita”, diz. No entanto, de acordo com ele, esse modelo não dá aos fundadores possibilidades de crescer. “A tendência é diminuir o valor de mercado. A expectativa de crescimento do lucro líquido, dado seu modelo de negócio, é lenta”, avalia.

Para o diretor de tecnologia da Ledcorp e especialista em tecnologia José Lúcio Balbi de Mello, a rede sobreviveu até hoje pela facilidade de uso e acesso, já que a avaliação de 98% dos usuários não passa pela parte técnica. “Em termos técnicos, Facebook e Orkut não têm muita diferença. O importante é funcionar e pesa para o usuário o acesso as facilidades gerais e criação de conceitos novos como o ‘curtir’. São as coisas novas que vão chamando a atenção do público e por isso o Facebook tem sobrevivido”, argumenta.
Mas a preocupação com a acessibilidade da ferramenta nos dispositivos móveis, para ele, deve ser o centro das atenções da companhia de agora para frente. “O mundo já é móvel e essa rede social foi concebida para notebooks e desktops. Portanto, não foi projetada para ser ágil em dispositivos móveis”, considera. “O principal desafio é se adequar sem perder o DNA”, reforça.

Concorrência
Alan Domingues, analista de mídias sociais, garante que o Facebook tem pecado nos últimos anos no quesito experiência para o usuário, dando espaço para que as redes sociais de nicho como Snapchat e Whatsapp cresçam. “Pelas preocupação com as questões comerciais, a plataforma está mais focada no mundo corporativo que no uso pessoal, e isso tem estimulado a saída de pessoas da rede”, comenta. Para ele, a empresa passa pelo 10º aniversário em uma situação de “corda-bamba”. “Não conseguem oferecer uma rede gratuita para as empresas e, ao mesmo tempo, têm desagradado os usuários ao filtrar os posts que eles veem na timeline”, reforça.
Entre os usuários, fica a certeza de que a ferramenta se torna cada vez mais uma rede de relacionamentos interpessoais e de lazer. Para o trabalho, por exemplo, o designer Thiago Duarte tem optado pela Linkedin (rede de negócios) e pela Behance (rede de profissionais criativos). “Com elas, posso encontrar mais conteúdo relevante para mim”, afirma. O Facebook, para ele, permanece como o centro de encontro com amigos. “É normal vermos empresas investirem pesado em marketing digital utilizando a rede e acho que os usuários estão prontos para receber qualquer tipo de conteúdo, mas desde que seja relevante para ele”, comenta.
Para o Facebook sobreviver e crescer entre os brasileiros, ele garante que a receita é investir menos em mudanças na interface e mais na ferramenta de eventos, que já provou sua importância entre os usuários. “Os brasileiros não se acostumam bem a mudanças, até por isso o Orkut acabou sendo enterrado depois do chamado "Novo Orkut”. Vejo um espaço para crescimento nos "Eventos", que hoje são muito utilizados, e prometem ser uma das melhores funções da plataforma”, finaliza.
