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Estado de Minas

Diante do sucesso do Lulu, mineiros criam um programa para avaliar garotas

Aplicativo permite que mulheres concedam notas a homens; estudante em São Paulo pediu indenização


postado em 28/11/2013 06:56 / atualizado em 03/12/2013 07:43

Matheus Pinheiro e Pedro Darma, da equipe que criou aplicativo mineiro: lançamento será nos próximos dias (foto: (Tulio Santos/EM/D.A Press))
Matheus Pinheiro e Pedro Darma, da equipe que criou aplicativo mineiro: lançamento será nos próximos dias (foto: (Tulio Santos/EM/D.A Press))

A revanche em forma de aplicativo sairá em breve do forno direto de Minas. Uma semana depois de chegar ao Brasil, o Lulu, aplicativo de celular que permite a mulheres avaliar homens e criar um ranking de melhores e piores em sua rede de amigos do Facebook, ganha rival na versão masculina, desenvolvido por um grupo de cinco mineiros. Eles não só entraram na brincadeira, mas criaram um software similar só para homens. O aplicativo deve entrar no ar na semana que vem para que elas também sejam alvo de elogios e críticas. Nessa guerra dos sexos, já há casos de homens avaliados que apelam à Justiça. Um estudante de direito de São Paulo entrou ontem com ação judicial contra o aplicativo e o Facebook, que abastece os perfis do Lulu, e pede indenização de R$ 27 mil. Ele alega ter tido problemas com a noiva.

Disponível há sete dias no país, o “clube da Luluzinha” é sucesso. O aplicativo teve 5 milhões de visualizações, e as usuárias no Brasil chegaram a conferir 100 milhões de perfis masculinos. A média é de nove acessos diários por cada adepta ao sistema. A avaliação é anônima, só fica disponível para outras meninas e faz uma média a partir de notas sobre bom humor, beijo, sexo e nível de compromisso do garoto, além de fornecer hashtags – palavras-chave – para definir perfil.

A ideia do grupo de mineiros de inverter o jogo surgiu quando um dos jovens, o estudante de medicina Alex Whyte, de 24 anos, descobriu que estava com a média de 5,3 no aplicativo – as notas vão até 10. Uma amiga brincou com ele sobre o mau desempenho nas avaliações em uma rede social, o que motivou os amigos a criarem o aplicativo que eles ainda estudam o nome. Um dos desenvolvedores do programa, o empresário Pedro Darma, de 26, diz que tudo começou esta semana. “Temos mais de 100 hashtags com características e já fizemos o banco de dados. Ele será vinculado ao Facebook e tem a mesma estrutura do Lulu”, conta.

A expectativa é mandar o aplicativo para aprovação na terça-feira e, cinco dias depois, colocá-lo no ar. Darma garante que tudo será em tom de brincadeira. “Não é tão sério, ia ficar pesado se fosse no mesmo nível do Lulu”, ri. Outro aplicativo, criado nos Estados Unidos com nome similar, também deve chegar ao Brasil nos próximos dias. Com o slogan “Sua vez de descobrir se ela é boa de cama”, promete se vingar das mulheres em breve.

Na semana passada, a estudante de arquitetura Gabriela Reuter Ruas, de 18, entrou para o clube da Lulu. Desde então, ela já deu seu veredicto sobre sete rapazes – todos receberam nota acima de 7 e abaixo de 9. Gabriela encara o aplicativo com bom humor. “Acho que não é algo para se levar muito a sério, mas, ao mesmo tempo, funciona como uma inversão de papéis. Normalmente, quem avalia é o homem e, agora, eles estão sentindo na pele o que a gente vive todos os dias”, afirma. Ela jura que não pega pesado e leva mais na brincadeira. “Adoro usar as hashtags #deixaasinimigascominveja e #homemdeumamulher só”, conta. E dá para selecionar os pretendentes pelo app? “É um complemento, principalmente dos caras que você não conhece direito”, diz.

Reações

Campanhas surgiram nas redes sociais pedindo que as mulheres não se rendam ao Lulu. Muitos jovens as aconselharam a seguir para o Tinder, aplicativo em que homens e mulheres se curtem e conversam quando há interesse mútuo. Mas alguns, como o estudante Thiago Bálbio, de 20 anos, se divertiram com as avaliações. No momento, sua média está 8. “Não me importei. Rola a curiosidade, e algumas amigas mandam. A graça do negócio é os homens não verem”, ri.

Mas houve quem não gostasse nem um pouco de ser avaliado sem consentimento. Como prevenção, o estudante Diego Bezerra Alves, de 25 anos, decidiu desvincular seu perfil do aplicativo, o que é permitido pelo site do Lulu. “Não sei se já tinham falado de mim. Acho difícil é deixar informações expostas para escreverem o que quiserem sem garantia de defesa. Não sei nem se estão falando a verdade”, diz ele, que se preocupa com a falta de honestidade no espaço. O consultor em gestão Reuryson Fidelis, de 32, fez o mesmo por ter tido o perfil da rede social exposto sem autorização prévia. “Acho isso grave. Tento restringir as informações no meu Facebook, só deixo para amigos. Do nada, estão usando minhas informações para benefício próprio, é um absurdo”, reclama.

"Agora, eles estão sentindo na pele o que a gente vive todos os dias" - Gabriela Reuter Ruas, 18 anos, estudante de arquitetura (foto: Angelo Pettinati/Esp. EM/D.A Press)

OAB faz alerta para processos

As criadoras e usuárias do Lulu, aplicativo em que mulheres avaliam perfis masculinos, podem responder na Justiça por invasão de privacidade, além de injúria e difamação, caso seja constatado conteúdo negativo na avaliação feita de algum homem. O alerta é do presidente da Comissão de Direito Eletrônico e Crimes Eletrônicos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Minas Gerais, Luis Felipe Silva Freire.

“Apesar das participações serem anônimas, o crime cometido na internet é passível de localização. Quem está avaliando pode ser responsabilizado no caso de comentários injuriosos. Por isso, elas têm que ter bastante cuidado ao opinar de forma negativa”, ressalta Freire. Os crimes de injúria (ofender a dignidade) e difamação (imputar-lhe algo ou fato sensível à reputação) têm penas, respectivamente, de um a seis meses de detenção e de três meses a um ano de detenção, além de pena pecuniária.

O advogado ressalta ainda que o Lulu e o Facebook, que fornece as informações para os perfis, também podem ser alvo da Justiça. Isso porque as empresas estão sujeitas a questionamentos sobre a invasão de privacidade. “O Código do Consumidor diz que qualquer informação relevante e que possa restringir direitos deve ser destacado de forma clara, o que não ocorreu”, afirma Freire. Segundo ele, o mais correto seria um contato prévio por parte das empresas, seja pelo Facebook ou por e-mail, perguntando se os clientes desejam ter o perfil incluído no Lulu.


TRÊS PERGUNTAS PARA...
DEBORAH SINGER, Diretora de marketing do Lulu


1) Como vocês decidiram criar o Lulu?
Foi logo depois do Dia dos Namorados que a Alexandra Chong (jamaicana fundadora do sistema) resolveu criar um aplicativo em que as garotas pudessem trocar informações e experiências sobre homens, mas também sobre beleza, carreira. Estamos trabalhando duro para ampliar a atuação do Lulu para esses outros temas.

2) A que atribui o sucesso no Brasil?
Estamos muito surpresas com essa rapidez. Mas há algumas razões pelas quais escolhemos o Brasil como o segundo país para o lançamento do Lulu, depois dos Estados Unidos. As mídias sociais são muito usadas aqui. Além disso, as garotas brasileiras são incríveis, as pessoas são muito sociáveis e a vida noturna, agitada.

3) Muitos homens não ficaram satisfeitos por terem perfil disponível para avaliação e ameaçam entrar na Justiça. Como vocês lidam com isso?
O Lulu apenas leva para o ambiente online uma prática que as mulheres já tem no cotidiano, que é falar sobre os homens. A ideia, inclusive, é de promover e indicar pretendentes, e não falar mal de alguém. O homem que retirar o perfil do Lulu também pode fazer isso de forma simples no nosso site (onlulu.com)

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