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Estado de Minas

Mineiros brilham em premiações científicas

Dois estudantes ganham o Jovem Cientista. Em São Paulo, professor da UFMG e alunos do UNI-BH são reconhecidos pelo Santander


postado em 20/11/2013 08:09 / atualizado em 20/11/2013 08:14

Gustavo Meirelles Lima, aluno da Universidade Federal de Itajubá, venceu o primeiro lugar da categoria Mestre e Doutor, com projeto que faz com que empresas fornecedoras de água economizem(foto: (Rúbio Guimarães/Divulgação))
Gustavo Meirelles Lima, aluno da Universidade Federal de Itajubá, venceu o primeiro lugar da categoria Mestre e Doutor, com projeto que faz com que empresas fornecedoras de água economizem (foto: (Rúbio Guimarães/Divulgação))

Mineiros foram destaque ontem em Brasília e São Paulo, onde receberam a notícia de que eram vencedores em duas importantes premiações nacionais: o Jovem Cientista e o Santander. No primeiro deles, anunciado na sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em Brasília, os vencedores da 27ª edição do Prêmio Jovem Cientista foram estudantes de Minas, Rio Grande do Norte, Pará, Ceará, Paraná, Rio Grande do Sul e de São Paulo.

A concorrência foi grande, com um número recorde de inscritos: 3.226 trabalhos, com o tema Água: desafios da sociedade. Nesse ambiente de competitividade, mas acima de tudo, de aprendizado e troca de experiências, Minas Gerais ficou o primeiro lugar do prêmio da categoria Mestre e Doutor, com o projeto de mestrado intitulado “Microgeração em sistemas de abastecimentos de água”, de Gustavo Meirelles Lima, aluno da Universidade Federal de Itajubá (Unifei). Ele explica que o projeto beneficia empresas fornecedoras de água, que usam a própria rede de distribuição para economizar energia. “O caminho entre o reservatório de água e as edificações muitas vezes se dá por ação da gravidade. Com a pressão e o volume da água, nessa trajetória, é possível usar bomba em reverso, funcionando como turbina e gerando energia”, detalha.

Gustavo fez o teste em laboratório e aplicou em campo em três cidades. Em Cruzeiro, no Sul de Minas, ele conseguiu gerar, em um ano, 65 kilowatts. “Isso, se considerado o valor da tarifa de energia elétrica da cidade, representa uma economia em torno de R$ 100 mil para a empresa. É um projeto muito bom, que funciona melhor em cidades montanhosas”, explica. O prêmio serviu como incentivo para que o jovem mestre continue pesquisando e parta para um doutorado. Além disso, ele já tem uma empresa que busca justamente transformar a ideia em um negócio lucrativo. “Queremos desenvolver a solução, instalar nas empresas e sermos remunerados de acordo com a economia que gerarmos”, conta.

Economia na escola
Quando o presidente do CNPq, Glaucius Oliva, anunciava os vencedores, em Brasília, Thaís Rocha Arrighi assistia normalmente às suas aulas na Escola Estadual Professora Francisca Pereira Rodrigues, em Piraúba, na Zona da Mata. Aluna do 2º ano, ela apresentou o projeto “Chiquita economizando água: hábitos inadequados e hábitos adequados” e foi escolhida como vencedora na categoria Ensino médio. Quando sua orientadora, Arlete Marchioni deu a notícia, a comemoração foi grande. “Meus amigos ficaram muito felizes por mim. Me parabenizaram e brincaram com o fato de a entrega do prêmio ser com a presidente Dilma”, contou Thaís, por telefone. O trabalho desenvolvido por ela reflete sobre o consumo de água na própria escola. “Percebi alguns desperdícios e propus alternativas, como no bebedouro. Todos os alunos bebem água usando a mão como suporte. Isso desperdiça muita água. Sugeri que passássemos a usar uma garrafinha. Além de não desperdiçar, os alunos pedem menos para sair e beber água e prestam mais atenção na aula”, conta. Como reflexo de seu trabalho e de outros colegas, a escola vai investir numa reforma para captar a água da chuva, que será usada para regar jardins e lavar o piso.

Segundo Felipe Fernandes, coordenador do Prêmio Jovem Cientista, a iniciativa procura desenvolver o interesse e a curiosidade pelo processo científico no ensino médio. “Dá aos alunos a noção das etapas pelas quais uma pesquisa precisa passar. Já no ensino superior, o prêmio visa dar reconhecimento e visibilidade ao trabalho já feito”, diz. Para envolver jovens estudantes na investigação científica e apoiar professores interessados em participar da iniciativa, a organização da premiação produziu e ofereceu gratuitamente kits pedagógicos sobre a água e promoveu 34 oficinas, em 13 estados.

Categorias Outras categorias foram agraciadas: Estudante do Ensino Superior, Mérito Institucional e o Mérito Científico, dada a Eugênio Foresti, da Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo. O prêmio é dado a um pesquisador doutor que, em sua trajetória, tenha se destacado na área relacionada ao tema da edição. Foresti é doutor em engenharia hidráulica e saneamento pela USP e professor titular da universidade, tendo dedicado sua vida a estudar processos biológicos de águas residuárias. São mais de R$ 700 mil em prêmios, além das bolsas de estudo concedidas pelo CNPq. Os vencedores receberão os prêmios no Palácio do Planalto, em dezembro.

Incentivo à pesquisa
Criado em 1981, o Prêmio Jovem Cientista tem o objetivo de incentivar a pesquisa e a inovação no País e é considerado um dos mais importantes reconhecimentos aos cientistas brasileiros. A entrega da premiação é feita pelo Presidente da República, em cerimônia que reúne parceiros, educadores e expoentes da ciência e tecnologia. Os temas escolhidos a cada edição buscam soluções viáveis e acessíveis para os desafios da sociedade brasileira. Entre os assuntos abordados em edições anteriores estão “Saúde da população e controle de endemias", "Oceanos: fonte de alimentos", “Cidades Sustentáveis” e “Inovação Tecnológica nos Esportes”.

 

Inovação e criatividade em alta

Patrícia Giudice*

Ricardo Tostes Gazzinelli, professor do Departamento de Bioquímica e Imunologia do ICB/UFMG, que se destacou na categoria Inovação/Biotecnologia do Prêmio Santander Universidades (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press )
Ricardo Tostes Gazzinelli, professor do Departamento de Bioquímica e Imunologia do ICB/UFMG, que se destacou na categoria Inovação/Biotecnologia do Prêmio Santander Universidades (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press )
São Paulo – O uso de um micro-organismo do Trypanosoma cruzi como antígeno tumoral deu ao professor Ricardo Tostes Gazzinelli, professor do Departamento de Bioquímica e Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o prêmio Santander Universidades na categoria Ciência e Inovação/Biotecnologia. Ele concorreu com o estudo “Uso de uma cepa não patogênica de Trypanosoma cruzi como vetor vacinal expressando antígenos tumorais”. Gazzinelli explica que a estratégia foi usar um micro-organismo capaz de induzir uma resposta imune para não causar a doença. “Por meio da engenharia genética, pegamos o gene que codifica esse antígeno e colocamos no genoma do Trypanosoma cruzi, de forma que ele passe a expressar o antígeno tumoral e o usamos como vacina contra o câncer.” O estudo, segundo ele, foi muito eficaz em animais de laboratório e se manifesta em uma variedade de tumores, mas não são todos. Agora, acrescnta, sua equipe de pesquisa tem o desafio de incluir o genoma do parasita em vários antígenos tumorais diferentes, de maneira que haja resposta imune em um maior número de tumores.

“Estamos agora tentando melhorar o retorno vacinal”, disse o professor, que é também coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacina (INCTV). A vacina ainda não está sendo testada em humanos e a expectativa é que, primeiro, seja desenvolvida para imunizar raças de animais susceptíveis aos tumores, como alguns cães.

Os outros projetos mineiros vencedores foram o game Rato Atrevido, destinado a alfabetização de crianças portadoras de autismo, desenvolvido por uma equipe de alunos do curso de produção multimídia do Centro Universitário Uni-BH. O game estará disponível para tablets e smartphones em até três meses, gratuitamente. A ideia é que a criança, quando jogar, aprenda as letras e interaja com o animal virtual. “É um jogo divertido e diferente do que está no mercado. A criança reconhece as letras e monta as sílabas, além de ter contato com cores e sons”, explicou a aluna Ana Paula Sarrizo Molinari Moreira.

Na categoria Jovem Empreendedor Comunitário, venceu o também aluno do Uni-BH Cristian da Silva Rocha, da engenharia mecânica. A equipe desenvolveu uma máquina para troca do líquido de arrefecimento automotivo para agilizar o serviço em pequenas oficinas mecânicas, já que tem baixo custo. O sistema do veículo serve para estabilizar a temperatura e promover um melhor desempenho, mas os fluidos precisam ser trocados regularmente. Segundo Cristian, a troca é realizada por uma máquina cara, pouco disponível no mercado. Neste ano, 16.838 trabalhos se inscreveram no Prêmio Santander Universidades, 63% a mais que o ano passado. Foram distribuídos cerca de R$ 2 milhões para os 21 vencedores.

* A repórter viajou a convite do Banco Santander

 

 


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